Pesquisadores descobriram que a aparência jovem na terceira idade pode ter menos relação com genética do que muita gente imagina
Conhecer alguém que já passou dos 70 anos e continua cheio de energia não é algo tão raro. Essas pessoas caminham com disposição, mantêm uma rotina ativa e, muitas vezes, aparentam ter menos idade do que realmente têm.
Durante décadas, muita gente acreditou que isso era apenas uma questão de genética. No entanto, pesquisas científicas mostram que essa explicação está longe de contar toda a história.
Estudos conduzidos por pesquisadores brasileiros indicam que o envelhecimento saudável está muito mais relacionado ao conjunto de hábitos cultivados ao longo da vida do que apenas à herança genética. A boa notícia é que muitos desses fatores podem ser desenvolvidos em qualquer idade.
A ciência mudou a forma de entender o envelhecimento
Uma das pesquisas que ajudou a transformar essa visão foi desenvolvida pelas pesquisadoras Ilka Nicéia D’Aquino Oliveira Teixeira e Anita Liberalesso Neri, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No artigo Envelhecimento bem-sucedido: uma meta no curso da vida, publicado na revista Psicologia USP, elas explicam que envelhecer bem não significa apenas viver muitos anos.
Segundo as pesquisadoras, o envelhecimento saudável reúne diferentes dimensões da vida. Aspectos biológicos são importantes, mas fatores psicológicos, sociais e a forma como cada pessoa percebe sua própria trajetória também fazem parte dessa construção.
Em outras palavras, duas pessoas com a mesma idade podem apresentar níveis muito diferentes de qualidade de vida. Enquanto uma mantém autonomia, interesse pelo mundo e participação social, outra pode enfrentar isolamento e perda gradual da independência.
O estudo que analisou quase 1.800 idosos brasileiros
Outra pesquisa chamou atenção por investigar quais características apareciam com maior frequência entre idosos considerados exemplos de envelhecimento saudável.
O trabalho foi publicado na Revista de Saúde Pública e contou com a participação dos pesquisadores Luciana Colares Maia, Thomaz de Figueiredo Braga Colares, Edgar Nunes de Moraes, Simone de Melo Costa e Antônio Prates Caldeira.
Os pesquisadores analisaram aproximadamente 1.750 idosos, com idades entre 60 e 107 anos, atendidos na atenção primária em municípios do norte de Minas Gerais.
Os resultados mostraram um padrão interessante.
Os idosos que apresentavam melhores indicadores de envelhecimento costumavam reunir diversas características ao mesmo tempo, entre elas:
- percepção positiva da própria saúde;
- prática frequente de caminhada;
- participação em atividades como dança;
- independência para realizar tarefas do cotidiano;
- ausência de sintomas depressivos;
- boa preservação da capacidade cognitiva.
Os pesquisadores destacam que nenhum desses fatores, isoladamente, explica o envelhecimento saudável. O que parece fazer diferença é a combinação desses hábitos e condições ao longo da vida.
