O óleo que surpreendeu cientistas virou alvo de alerta no Brasil

Julio Cezar Lisboa
Julio Cezar Lisboa
Jornalista ,redator e escritor. Tenho a escrita como profissão e como forma de conexão com o público. No blog, escrevo sobre crochê, bem-estar, receitas, jardinagem e decoração do lar, com conteúdos leves, informativos e pensados para inspirar o dia a dia.
Árvore de moringa com folhas verdes e vagens longas em ambiente natural.
A Moringa oleifera chama a atenção de pesquisadores por seus compostos e pelo óleo extraído de suas sementes. Foto Estudio Katia Ribeiro CGPT

O óleo extraído das sementes da moringa (Moringa oleifera) vem despertando o interesse de pesquisadores por uma característica importante: sua resistência à oxidação. Rico em ácido oleico, gordura monoinsaturada também predominante no azeite de oliva, o óleo de moringa apresentou boa estabilidade diante do calor e durante testes de fritura realizados em estudos científicos.

Na prática, pesquisas indicam que o óleo de moringa pode resistir melhor à deterioração do que alguns óleos vegetais avaliados em laboratório. Estudos encontraram concentrações próximas de 80% de ácido oleico e resultados favoráveis durante o aquecimento. Isso não significa que ele seja automaticamente melhor ou mais saudável que o azeite, mas ajuda a explicar por que esse óleo pouco conhecido chama a atenção da ciência.

Por que o óleo de moringa chama a atenção dos cientistas?

O principal segredo parece estar na composição de ácidos graxos presentes nas sementes da moringa. Um estudo científico sobre a qualidade e a estabilidade do óleo de sementes de moringa encontrou aproximadamente 78% a 79% de ácido oleico nas amostras analisadas.

Essa concentração é especialmente interessante porque o ácido oleico é um ácido graxo monoinsaturado. Óleos ricos nesse componente tendem a apresentar características diferentes daqueles com maior concentração de determinados ácidos graxos poli-insaturados, especialmente quando os pesquisadores analisam a resistência à oxidação.

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No estudo, os cientistas também avaliaram a estabilidade térmica e oxidativa do óleo de moringa prensado a frio. Os resultados foram comparados aos de óleos de amendoim comerciais crus e refinados, e o óleo de moringa apresentou boa resistência à deterioração nas condições analisadas.

É justamente o alto teor de ácido oleico que leva a comparações com o azeite de oliva. Os dois óleos possuem diferenças importantes, mas compartilham uma característica: o ácido oleico ocupa uma posição de destaque em sua composição de gorduras.

O azeite, aliás, é um ingrediente que já faz parte da rotina de muitas famílias. Aqui no blog, já mostramos como o azeite é utilizado na culinária e em diferentes situações do cotidiano. A moringa, por outro lado, ainda é pouco conhecida na cozinha brasileira, embora suas sementes sejam estudadas como fonte de óleo.

Essa composição ajuda a explicar por que o óleo de moringa, também conhecido internacionalmente como ben oil ou behen oil, desperta o interesse de pesquisadores da área de alimentos.

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A moringa (Moringa oleifera) é uma planta estudada pela ciência por seus compostos bioativos e diferentes usos tradicionais. Foto Estudio Katia Ribeiro

O óleo de moringa foi colocado à prova durante a fritura

Os cientistas não ficaram apenas na análise da composição química. A resistência do óleo de moringa ao aquecimento prolongado também foi investigada em experimentos envolvendo fritura.

Em uma pesquisa publicada na revista científica Food Chemistry, pesquisadores compararam o óleo de moringa rico em ácido oleico com óleo de canola, óleo de soja e oleína de palma.

Durante o experimento, os óleos foram utilizados na fritura de batatas por períodos prolongados. Os pesquisadores acompanharam diferentes indicadores relacionados à oxidação e à deterioração provocada pelo calor.

Nas condições avaliadas, o óleo de moringa apresentou maior estabilidade durante a fritura do que os outros óleos vegetais incluídos na comparação. O resultado foi relacionado principalmente ao seu perfil de ácidos graxos, marcado pela elevada concentração de ácido oleico.

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Isso não significa, porém, que o óleo de moringa possa ser reutilizado indefinidamente na cozinha. Todo óleo sofre alterações quando é exposto repetidamente a temperaturas elevadas.

Com o aquecimento prolongado, podem ocorrer mudanças no odor, no sabor, na aparência e na composição química do óleo. Os resultados científicos precisam, portanto, ser interpretados dentro das condições controladas utilizadas pelos pesquisadores.

A descoberta de ingredientes menos conhecidos também pode transformar a maneira como olhamos para alimentos comuns. Um exemplo é o maxixe: em outro conteúdo, explicamos como preparar o maxixe e aproveitar esse vegetal nas refeições, mostrando que ingredientes muitas vezes deixados de lado podem ganhar espaço na cozinha quando entendemos melhor suas características.

No caso da moringa, a curiosidade científica está principalmente no comportamento do óleo diante da oxidação e do aquecimento.

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Afinal, o óleo de moringa realmente dura mais?

A ciência indica que o óleo de moringa possui características favoráveis à estabilidade oxidativa, mas determinar exatamente quanto tempo ele dura exige analisar vários fatores.

O método de extração, a embalagem, a temperatura de armazenamento e a exposição à luz podem interferir diretamente na conservação de qualquer óleo vegetal.

Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica Foods analisou as características físico-químicas e o perfil de ácidos graxos do óleo extraído de sementes de moringa. Os pesquisadores encontraram até 77,8% de ácido oleico e observaram características relacionadas à estabilidade oxidativa do produto.

O estudo também mostrou que a temperatura utilizada durante o processo de extração pode influenciar as propriedades finais do óleo. Isso significa que nem todo produto vendido como óleo de moringa terá exatamente o mesmo comportamento observado nas pesquisas.

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Há ainda um cuidado importante para quem pensa em experimentar esse ingrediente. O óleo de moringa alimentício não deve ser confundido com produtos destinados exclusivamente ao uso cosmético.

No Brasil, é possível encontrar óleo de moringa comercializado para cabelos, pele e formulações cosméticas. Esses produtos não devem ser consumidos apenas porque foram extraídos da mesma planta.

Antes de utilizar o óleo na cozinha, é fundamental verificar se o fabricante informa claramente que o produto é adequado para consumo alimentar e se a embalagem apresenta a indicação de uso como alimento.

Também é importante evitar comparações exageradas com o azeite. O azeite de oliva possui uma extensa quantidade de pesquisas relacionadas à sua composição e ao consumo alimentar, enquanto o óleo de moringa ainda é menos comum e menos estudado na alimentação cotidiana.

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Por isso, dizer simplesmente que a moringa é “melhor que o azeite” seria uma conclusão precipitada. O que os estudos mostram é algo diferente e igualmente interessante: o óleo de moringa apresenta uma composição rica em ácido oleico e demonstrou boa estabilidade em determinadas condições experimentais.

Conclusão

O óleo extraído das sementes da moringa é um ingrediente promissor e ainda pouco conhecido. Seu alto teor de ácido oleico ajuda a explicar a boa estabilidade oxidativa e térmica observada em pesquisas científicas.

Em testes controlados, o óleo apresentou maior resistência à deterioração do que alguns óleos vegetais utilizados nas comparações. Os resultados são interessantes principalmente para pesquisadores que estudam óleos ricos em ácido oleico e seu comportamento durante o aquecimento.

Mas a ciência ainda não permite afirmar que o óleo de moringa seja superior ao azeite de oliva em benefícios para a saúde. Também não é correto tratá-lo como uma solução milagrosa ou como substituto obrigatório dos óleos tradicionais.

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Por enquanto, o óleo de moringa pode ser visto como um ingrediente curioso que merece atenção. E sua composição ajuda a entender por que uma pequena semente de uma planta conhecida há séculos conseguiu despertar o interesse da ciência moderna.

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