A ciência descobriu por que o pernilongo pica sempre as mesmas pessoas, e está no cheiro da pele

Lucas Sampaio
Lucas Sampaio
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Uma pessoa vestindo camiseta azul sentada à mesa de madeira rústica. No antebraço nu da pessoa, há um mosquito escuro com listras brancas pousado. A mão oposta da pessoa está erguida e desfocada, em movimento para espantar o inseto.
O perigo silencioso dentro de casa: o Aedes aegypti tem hábitos diurnos e costuma atacar áreas expostas do corpo, como pernas e braços.

Você está numa roda de amigos e, no fim da noite, é o único todo picado. Parece azar, mas não é. A ciência foi atrás dessa queixa antiga e descobriu que algumas pessoas realmente atraem mais o pernilongo, e o motivo está escrito no cheiro da pele.

O estudo que confirmou o “ímã de mosquito”

Em 2022, pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, publicaram um estudo importante na revista científica Cell. Eles testaram dezenas de pessoas e identificaram quem era muito e quem era pouco atraente pros mosquitos.

Fotografia em modo macro (close-up) detalhando um mosquito Aedes aegypti sobre a pele humana. O inseto possui corpo escuro com nítidas listras brancas nas pernas. O aparelho bucal está inserido na pele (picando) e o abdômen começa a ficar avermelhado com o sangue.
Identificação crucial: as pernas escuras com anéis brancos são a principal característica visual do vetor transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya.

A descoberta mais curiosa: essa diferença é estável. As pessoas que atraíam mais continuaram atraindo mais ao longo de anos, mesmo mudando a dieta ou os hábitos de higiene. Ou seja, o “ímã de mosquito” é uma característica real, não impressão.

O verdadeiro chamariz na sua pele

O segredo está nos ácidos carboxílicos. Esses compostos fazem parte do cheiro natural da pele, produzidos pelo suor e pelas bactérias que vivem nela. Todo mundo tem, mas em quantidades diferentes.

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Quem produz mais desses ácidos vira um alvo preferido. No estudo, os participantes mais atraentes pros mosquitos exalavam níveis bem maiores desses compostos. É o cheiro deles, mesmo que você nem perceba, que funciona como um convite.

O que mais chama o mosquito

O cheiro da pele não age sozinho. Os mosquitos usam um conjunto de pistas pra te encontrar, e a ciência já mapeou as principais:

  • Gás carbônico: o CO2 que você solta ao respirar guia o mosquito de longe.
  • Calor do corpo: eles têm sensores e preferem alvos mais quentes.
  • Odor da pele: o cheiro único definido pelas suas bactérias e ácidos.
  • Cor da roupa: tons escuros como preto e vermelho atraem mais o olhar deles.

É a combinação de tudo isso que define quem leva mais picada na roda.

Por que grávidas e quem bebe são alvos

Aqui a ciência explica padrões que muita gente já notou. Grávidas costumam apanhar mais dos mosquitos, e há estudos apontando o dobro de picadas. Elas exalam mais CO2 e têm a temperatura do corpo um pouco mais alta.

A cerveja também entra na lista. Estudos mostram que quem bebeu cerveja vira alvo mais fácil, provavelmente porque o álcool eleva a temperatura da pele e muda o cheiro do corpo. Curiosamente, nem todos os trabalhos conseguiram explicar exatamente o porquê, mas o efeito aparece.

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A polêmica do tipo de sangue

Esse é o ponto onde a ciência ainda discute. Existe a ideia de que pessoas do tipo O seriam mais picadas, e alguns estudos antigos apontaram nessa direção.

Mas atenção: o assunto não tem consenso. Estudos mais recentes e robustos não encontraram relação clara entre tipo sanguíneo e picadas, e vários especialistas consideram o cheiro e o CO2 muito mais decisivos. Então, se você ouvir que “tipo O atrai mosquito” como verdade absoluta, desconfie. A evidência ainda está dividida.

O mito do sangue doce

Vamos derrubar a lenda mais famosa. Aquela história de que mosquito pica quem tem sangue doce ou come muito açúcar não tem fundamento.

O mosquito não sente o sabor do seu sangue antes de picar. O que ele detecta é o seu cheiro e a sua respiração, à distância. A doçura do sangue é pura crença popular, não muda nada na escolha do inseto.

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Dá pra deixar de ser um ímã

A má notícia é que você não controla o cheiro natural da sua pele. A boa é que dá pra reduzir o ataque mexendo nos outros fatores. Veja o que ajuda de verdade:

  • Use repelente aprovado, o jeito mais eficaz de se proteger.
  • Prefira roupas de cor clara, que chamam menos atenção.
  • Elimine água parada em casa, onde eles se reproduzem.
  • Tela nas janelas e mosquiteiro à noite seguram boa parte deles.

Lembrando que a picada vai muito além da coceira. O pernilongo e o Aedes podem transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya, então se proteger é mais que conforto, é saúde.

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