Por que algumas pessoas parecem mais jovens aos 70? A ciência encontrou um padrão inesperado

Julio Cezar Lisboa
Julio Cezar Lisboa
Jornalista ,redator e escritor. Tenho a escrita como profissão e como forma de conexão com o público. No blog, escrevo sobre crochê, bem-estar, receitas, jardinagem e decoração do lar, com conteúdos leves, informativos e pensados para inspirar o dia a dia.
O segredo para envelhecer bem pode estar menos na genética e mais nas escolhas feitas ao longo da vida, apontam estudos sobre longevidade e envelhecimento saudável

Pesquisadores descobriram que a aparência jovem na terceira idade pode ter menos relação com genética do que muita gente imagina

Todos conhecem alguém assim.

Aquela pessoa que chega aos 70 anos exibindo uma energia que parece desafiar o tempo. A pele pode até apresentar algumas marcas naturais da idade, mas há algo diferente na postura, no olhar, na disposição e até na forma como ela se relaciona com a vida.

Por muito tempo, acreditou-se que essa diferença estivesse ligada principalmente à genética. Mas pesquisas sobre envelhecimento bem-sucedido vêm apontando uma realidade mais complexa e surpreendente.

Segundo especialistas, o que faz algumas pessoas envelhecerem melhor não está relacionado apenas à ausência de doenças ou aos cuidados estéticos. Existe um conjunto de fatores psicológicos, sociais e comportamentais que parecem exercer influência significativa sobre a forma como envelhecemos.

Envelhecer bem não é apenas viver mais

No artigo Envelhecimento bem-sucedido: uma meta no curso da vida, publicado na revista científica Psicologia USP, as pesquisadoras Ilka Nicéia D’Aquino Oliveira Teixeira e Anita Liberalesso Neri, da Universidade Estadual de Campinas, explicam que não existe uma definição única para envelhecimento bem-sucedido.

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Segundo as autoras, a longevidade não deve ser o único critério para avaliar se uma pessoa envelheceu bem. O processo envolve fatores biológicos, psicológicos, sociais e subjetivos, incluindo bem-estar, adaptação, participação social e a forma como cada indivíduo interpreta a própria trajetória.

Essa visão ajuda a entender por que duas pessoas da mesma idade podem parecer viver fases completamente diferentes da vida. Uma pode estar cronologicamente envelhecida, mas emocionalmente ativa, curiosa e conectada. Outra pode ter menos idade, mas apresentar sinais mais intensos de desânimo, isolamento e perda de autonomia.

O padrão inesperado encontrado pela ciência

Um dos achados mais interessantes aparece em um estudo publicado na Revista de Saúde Pública, assinado por Luciana Colares Maia, Thomaz de Figueiredo Braga Colares, Edgar Nunes de Moraes, Simone de Melo Costa e Antônio Prates Caldeira.

Os pesquisadores analisaram 1.750 idosos atendidos na atenção primária no norte de Minas Gerais, com idades entre 60 e 107 anos, para identificar fatores associados ao envelhecimento bem-sucedido.

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O resultado chamou atenção: entre os idosos considerados mais robustos, apareciam com maior frequência características como autopercepção positiva da saúde, prática de caminhada, dança, independência para atividades do dia a dia, ausência de sintomas depressivos e ausência de comprometimento cognitivo.

Ou seja, o padrão não estava apenas em “não ter doenças”. Estava também em continuar se movimentando, manter autonomia, preservar a mente ativa e enxergar a própria saúde de forma mais positiva.

A aparência jovem pode começar antes do espelho

“Muito além da diversão, a dança reúne estímulos físicos, mentais e sociais que podem favorecer a saúde e a longevidade ao longo da vida.” — Oliveira et al.

Quando se fala em parecer mais jovem aos 70, é comum pensar imediatamente em estética. Cremes, procedimentos, alimentação e genética costumam entrar primeiro na conversa.

Mas os estudos sugerem que a juventude percebida pode ter raízes mais profundas.

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Uma pessoa que mantém independência, caminha, dança, participa da vida social e preserva interesse pelo mundo tende a transmitir mais vitalidade. Essa vitalidade, por sua vez, influencia a forma como ela é percebida pelos outros.

Não se trata de negar o envelhecimento. Trata-se de compreender que envelhecer não acontece apenas no corpo. Também acontece na relação da pessoa com a própria vida.

@jumarconatooficial

Pele, Celulite e Inchaço Como a Dança Transforma Seu Corpo

♬ som original – jumarconato

O papel do bem-estar subjetivo

Para Teixeira e Neri, o bem-estar subjetivo aparece como um componente central do envelhecimento bem-sucedido. Em outras palavras, não basta olhar apenas para exames, idade ou diagnósticos. Também importa como a pessoa se sente, como avalia sua própria vida e quais metas ainda consegue construir ao longo do caminho.

Essa ideia muda a forma de enxergar a longevidade.

A pessoa que envelhece melhor não é necessariamente aquela que tenta parecer jovem a qualquer custo, mas aquela que mantém algum grau de propósito, autonomia, vínculos e participação.

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A juventude, nesse sentido, deixa de ser apenas uma aparência e passa a ser uma forma de presença.

Movimento, autonomia e vida social aparecem juntos

O estudo de Maia e colaboradores reforça uma mensagem importante: envelhecer bem parece depender de uma combinação de fatores.

A caminhada apareceu associada à robustez entre idosos. A dança também se destacou, especialmente entre pessoas com 80 anos ou mais. Além do movimento físico, esses hábitos podem envolver ritmo, memória, convivência, prazer e participação social.

É justamente essa mistura que torna o padrão tão interessante.

O corpo se movimenta, a mente acompanha e a pessoa continua fazendo parte do mundo.

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Por que isso importa depois dos 70?

Aos 70 anos, muitas pessoas começam a ser vistas apenas pela idade. Mas a ciência mostra que a idade cronológica não conta a história inteira.

Há idosos com limitações que ainda preservam senso de humor, autonomia emocional e interesse pela vida. Há outros que, mesmo sem grandes limitações físicas, se afastam do convívio, perdem estímulo e passam a viver com menos participação.

O que os estudos apontam é que envelhecer bem não depende de um único segredo. Depende de um conjunto de condições que se acumulam ao longo da vida e que podem continuar sendo fortalecidas mesmo na terceira idade.

A descoberta que muda a forma de olhar para o envelhecimento

Talvez o padrão mais inesperado encontrado pela ciência seja este: parecer mais jovem aos 70 pode estar menos ligado a tentar combater o tempo e mais ligado a continuar participando da vida.

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Caminhar, dançar, manter autonomia, preservar vínculos, cultivar propósito e olhar para a própria saúde com mais confiança parecem formar uma espécie de assinatura do envelhecimento bem-sucedido.

No fim, a juventude que algumas pessoas carregam aos 70 talvez não esteja apenas no rosto.

Pode estar na maneira como elas continuam se movendo, se relacionando, escolhendo e encontrando motivos para permanecer interessadas pelo mundo.

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