O que é beleza? É o quanto você se acha belo ou bela? É o quanto te consideram uma pessoa bonita? O que a ciência moderna realmente diz sobre beleza?

Julio Cezar Lisboa
Julio Cezar Lisboa
Jornalista ,redator e escritor. Tenho a escrita como profissão e como forma de conexão com o público. No blog, escrevo sobre crochê, bem-estar, receitas, jardinagem e decoração do lar, com conteúdos leves, informativos e pensados para inspirar o dia a dia.
Entre a arte, a história e a ciência, uma pergunta continua intrigando: existe algo que torna certas pessoas universalmente atraentes?

Todos nós sabemos reconhecer a beleza quando a vemos. Ou pelo menos acreditamos que sabemos. Desde cedo, somos expostos a imagens, pessoas e padrões que nos ensinam o que seria considerado bonito. Nas redes sociais, por exemplo, a beleza costuma aparecer associada a rostos simétricos, corpos em forma, cabelos impecáveis e pele sem imperfeições. No senso comum, ser belo muitas vezes significa aproximar-se desses padrões. Mas basta olhar para o olhar da ciência em relação a beleza, para diferentes culturas e épocas da história para perceber que essa definição está longe de ser tão simples. Afinal, será que a beleza está realmente nos traços físicos ou existe algo mais profundo por trás daquilo que consideramos atraente?

A origem da palavra beleza já revela uma pista interessante

A palavra “beleza” tem origem no latim bellus, termo que significava “agradável”, “gracioso” ou “encantador”. Curiosamente, sua raiz não estava necessariamente ligada apenas à aparência física. Desde a Antiguidade, filósofos tentaram compreender por que determinadas pessoas, objetos, paisagens ou obras de arte despertavam admiração e encantamento.

Para os gregos, especialmente pensadores como Platão e Aristóteles, a beleza estava relacionada à harmonia, ao equilíbrio e à proporção. Durante séculos, essa ideia influenciou artistas, arquitetos e estudiosos. Porém, à medida que as sociedades evoluíram, também mudaram as formas de enxergar o que era considerado belo.

O que era considerado bonito há 100 anos talvez não seja hoje

Uma rápida viagem pela história mostra como os padrões de beleza estão em constante transformação. Em diferentes períodos, corpos mais robustos já foram vistos como símbolos de saúde e prosperidade. Em outros momentos, a magreza tornou-se o ideal estético dominante. O mesmo aconteceu com diversos aspectos físicos e até mesmo com características que hoje parecem triviais.

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“Esta estatueta da Dinastia Tang (618–907) retrata um ideal de beleza muito diferente do atual. Rostos arredondados e formas mais cheias eram associados à prosperidade, saúde e posição social elevada na China da época.”Créditos: Estatueta feminina da Dinastia Tang (618–907 d.C.), terracota policromada. Acervo do The Metropolitan Museum of Art.

Essa mudança constante levou pesquisadores a concluir que a beleza possui uma importante dimensão cultural. Aquilo que aprendemos a admirar é influenciado pela família, pela sociedade, pela mídia e pelo contexto histórico em que vivemos.

Essa relação entre cultura e beleza também aparece em pesquisas contemporâneas sobre imagem corporal. Diversos autores observam que os padrões estéticos não surgem de forma espontânea, mas são construídos e reforçados socialmente ao longo do tempo, influenciando a maneira como as pessoas avaliam a si mesmas e aos outros.

Agora algo mais interessante ainda: A Psicologia moderna descobriu algo surpreendente sobre a beleza

Se durante muito tempo a ciência concentrou seus esforços em entender os traços físicos considerados atraentes, pesquisas mais recentes passaram a investigar outro fator: a forma como as pessoas enxergam a si mesmas.

Um dos trabalhos brasileiros mais relevantes sobre o tema é o artigo “Apreciação Corporal e Aspectos Associados entre Adolescentes e Mulheres Jovens”, publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria por Ana Carolina Soares Amaral, Aline de Souza Furtado Medeiros, Alcimara Campos de Morais Rodrigues Araújo, Alessandra Aparecida da Silva Ana, Tassiana Aparecida Hudson e Maria Elisa Caputo Ferreira.

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As pesquisadoras observaram que pessoas com maior apreciação corporal apresentavam uma percepção mais positiva da própria aparência e níveis mais elevados de autoestima. O resultado chamou atenção porque mostrou que a forma como alguém interpreta seu corpo pode ser tão importante quanto suas características físicas objetivas.

Em outras palavras, duas pessoas com aparências semelhantes podem sentir-se completamente diferentes em relação à própria beleza. Enquanto uma enxerga apenas defeitos, a outra consegue reconhecer qualidades, valorizar suas características e sentir-se confortável consigo mesma.

Então o que faz uma pessoa parecer bonita para os outros?

A resposta encontrada pela Psicologia é mais complexa do que simplesmente possuir determinados traços físicos.

Pesquisas indicam que fatores como autoestima, expressividade emocional, autenticidade, postura corporal, confiança e habilidades sociais influenciam significativamente a percepção de atratividade. Pessoas que demonstram segurança, bem-estar emocional e conforto consigo mesmas costumam ser percebidas de forma mais positiva socialmente.

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Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas chamam atenção mesmo sem se encaixar perfeitamente nos padrões estéticos dominantes. Existe uma dimensão psicológica da beleza que vai além das medidas do rosto ou do corpo.

Como uma pessoa pode se sentir mais bonita segundo a ciência?

Ao contrário do que muitas campanhas publicitárias sugerem, a Psicologia não aponta procedimentos estéticos ou mudanças radicais como o principal caminho para aumentar a percepção de beleza.

Os estudos indicam que desenvolver autoestima saudável, reduzir comparações excessivas, praticar autocompaixão, cuidar da saúde física e mental e aprender a reconhecer qualidades além da aparência são estratégias associadas a uma imagem corporal mais positiva.

O próprio artigo “Apreciação Corporal e Aspectos Associados entre Adolescentes e Mulheres Jovens” conclui que a apreciação corporal funciona como um fator protetor contra insatisfação excessiva com a aparência. Pessoas que cultivam uma relação mais equilibrada com o próprio corpo tendem a sofrer menos com comparações sociais e apresentam maior satisfação consigo mesmas.

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A definição moderna de beleza talvez seja diferente da que você imaginava

Depois de décadas estudando a atratividade humana, a ciência parece caminhar para uma conclusão interessante: a beleza não está apenas nos traços físicos, mas também na forma como cada pessoa constrói sua relação consigo mesma.

Simetria, saúde e proporção podem influenciar a primeira impressão. Mas autoestima, autenticidade, confiança e bem-estar emocional ajudam a sustentar a percepção de beleza ao longo do tempo.

Talvez por isso a Psicologia moderna esteja cada vez menos interessada em descobrir quem é mais bonito e cada vez mais interessada em entender por que algumas pessoas conseguem enxergar valor em si mesmas independentemente dos padrões impostos pela sociedade. E, segundo as pesquisas, essa capacidade pode ser uma das formas mais duradouras de beleza que existem.

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