
Você passa pelo fígado, pela moela ou pelo coração de frango no supermercado sem dar muita atenção? Eu mesmo acho curioso como alguns alimentos simples e tradicionais acabam perdendo espaço enquanto buscamos opções muito mais caras para deixar a alimentação nutritiva.
As vísceras não precisam ser tratadas como “superalimentos milagrosos”, mas possuem uma característica interessante: podem concentrar proteínas, vitaminas e minerais importantes em porções relativamente pequenas. E três opções bastante conhecidas no Brasil merecem atenção: fígado bovino, moela e coração de frango.
Por que essas carnes vem chamam tanta atenção nas redes sociais do ponto de vista nutricional?
A expressão importante aqui é densidade nutricional.
Um alimento nutricionalmente denso fornece quantidades relevantes de nutrientes em relação à quantidade consumida. Isso não significa que seja necessário comer exclusivamente esses alimentos, uma dieta saudável continua dependendo de variedade.
A Harvard Medical School, por exemplo, inclui fígado bovino entre as fontes alimentares de vitamina A e carnes e aves entre as fontes de vitaminas do complexo B, ferro e outros minerais importantes.
E é justamente aí que nosso trio começa a ficar interessante.
1. Fígado bovino: uma verdadeira concentração de micronutrientes
Talvez nenhuma das três opções seja tão impressionante quanto o fígado de boi.
Ele oferece proteína e é particularmente conhecido pelas concentrações de vitamina A, vitamina B12, ferro, cobre e outras vitaminas do complexo B.
A vitamina B12 participa de funções importantes relacionadas ao sistema nervoso e à formação das células sanguíneas, enquanto o ferro é essencial para a produção de hemoglobina.
Isso não significa, porém, que quanto mais fígado você comer, melhor.
Justamente por apresentar quantidades muito elevadas de vitamina A pré-formada, ele não precisa aparecer diariamente no prato. O excesso crônico desse nutriente pode ser prejudicial, e gestantes precisam ter atenção especial à ingestão elevada de vitamina A proveniente de retinol.
Por isso, fígado é um ótimo exemplo de alimento em que uma pequena quantidade já pode entregar bastante.
2. Moela de frango: proteína que muita gente esqueceu
A humilde moela talvez seja a mais injustiçada da lista.
Ela é uma parte muscular do sistema digestório das aves e pode fornecer proteína, ferro, zinco e vitaminas do complexo B.
E ainda tem aquela vantagem que nossas avós provavelmente já conheciam antes de existir o termo “densidade nutricional”: costuma ser uma opção relativamente acessível e rende muito bem em preparações cozidas.
A moela pode entrar em:
- Ensopados;
- Molhos;
- Arroz;
- Preparações com legumes;
- Petiscos;
- Refeições com feijão e verduras.
Só existe um cuidado: o modo de preparo muda bastante o resultado nutricional da refeição. Uma moela cozida com legumes é uma coisa; uma preparação carregada de gordura e sódio é outra.
3. Coração de frango: muito além do churrasco
Para nós brasileiros, coração de frango lembra imediatamente churrasco.
Mas nutricionalmente ele também merece atenção.
Por ser um tecido muscular, fornece proteína de boa qualidade, além de micronutrientes encontrados nos alimentos de origem animal, como ferro, zinco e vitaminas do complexo B.
E existe um ponto interessante sobre as proteínas animais: o médico Howard LeWine, editor-chefe médico da Harvard Health Publishing, explica que frango e outras aves podem fazer parte de uma alimentação saudável como fontes de proteína, destacando também a importância de observar a quantidade e o tipo de gordura presentes na dieta.
No coração, portanto, vale a mesma lógica que aplicamos às outras carnes: porção e modo de preparo importam.
Se ele chega ao prato acompanhado de excesso de sal, manteiga e outros ingredientes ricos em gordura saturada, o contexto da refeição muda completamente.
Talvez nossas avós soubessem aproveitar melhor os alimentos
Existe algo interessante nessa história toda.
Enquanto a internet procura constantemente o próximo alimento caro que promete revolucionar a alimentação, fígado, moela e coração estão há décadas na mesa brasileira.
Não são milagrosos.
Não substituem vegetais, frutas ou uma alimentação variada.
E certamente não precisamos comê-los todos os dias.
Mas são exemplos de alimentos relativamente simples que conseguem oferecer proteína e uma quantidade interessante de vitaminas e minerais.
Talvez a próxima descoberta nutricional da sua cozinha não esteja em uma embalagem sofisticada.
Pode estar justamente naquela parte do açougue que você sempre passou direto.
