Adeus, concreto no quintal, a tendência dos anos 60 que voltou mais fresca e drena a chuva

Lucas Sampaio
Lucas Sampaio
Sou apaixonado por transformar ideias em experiências de leitura irresistíveis. Como redator e estrategista de conteúdo, minha missão é conectar informação aos leitores através de textos dinâmicos, úteis e assertivos, há mais de 3 anos no mercado em diferentes nichos.
Quintal aberto e vazio com piso de cimento batido áspero, cercado por um muro alto amarelo e uma parede lateral azul com marcas de umidade.
Áreas externas totalmente cimentadas acumulam mais calor, mas oferecem uma excelente base estrutural para reformas e projetos de paisagismo.

Por muito tempo, cobrir o quintal de concreto foi sinônimo de praticidade. Chão limpo, sem mato, fácil de varrer. Só que esse cimento liso começou a perder espaço para uma ideia que parece saída de uma casa dos anos 1960: caminhos de pedras naturais, pedriscos e pisos que deixam a água passar. E o motivo dessa volta vai muito além da estética retrô.

O que voltou dos anos 60

A técnica que está em alta tem até nome de gente grande: crazy paving. Ela usa pedras irregulares assentadas com espaços aparentes entre elas, criando um visual orgânico, menos duro, que conversa com o jardim em vez de brigar com ele.

Visão rasteira de um caminho de pedras rústicas e achatadas cercado por grama verde e vegetação tropical densa nos canteiros laterais.
Criar caminhos com pisadas de pedras intercaladas com grama melhora a drenagem da chuva e quebra a monotonia dos revestimentos contínuos.

Nos quintais de hoje, essa ideia aparece em caminhos sinuosos, áreas de descanso, entradas laterais e cantos de convivência. Combinada com plantas resistentes, forrações e uma luz baixa à noite, ela foge daquele aspecto seco e árido que o piso de pedra às vezes tinha.

Por que a água agradece

Aqui está o coração da tendência. O concreto liso é impermeável, ou seja, a água da chuva não tem para onde ir. Ela escorre tudo para os ralos, calçadas e ruas, e em chuva forte isso vira poça, alagamento e bueiro entupido.

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O piso permeável faz o contrário. Ele deixa a água infiltrar no solo, atravessando as frestas e as camadas de brita e areia embaixo. Parte dessa água é até armazenada temporariamente nessa base de pedras, voltando devagar para a terra. Menos enxurrada no portão, menos sobrecarga na drenagem da cidade.

O frescor que o cimento nunca deu

Tem um ganho que pouca gente espera: a temperatura. O concreto liso, principalmente o escuro, absorve o sol e devolve calor o dia inteiro, deixando o quintal um forno à tarde.

Já a superfície permeável trabalha diferente. A umidade que fica guardada nas camadas de baixo evapora devagar, e essa evaporação resfria o chão naturalmente. Em pedras de cores claras o efeito é ainda maior, porque elas refletem o sol em vez de guardar o calor. O resultado é uma área externa mais agradável de pisar e de usar.

Não é só beleza, é lei

Esse é o argumento que fecha a conta para muita gente. Vários municípios brasileiros já exigem por lei que uma parte do terreno seja permeável, normalmente algo entre 10% e 15% da área, justamente para conter alagamentos.

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Quem cobre tudo de concreto pode estar fora da regra. O piso drenante cumpre essa exigência com uma vantagem sobre a grama: dá menos trabalho de manutenção e tem aparência mais controlada. Antes de reformar, vale conferir as regras de permeabilidade da sua cidade.

As opções para escolher

Permeável não quer dizer um material só. Existem vários caminhos, e dá para casar com o estilo do quintal e com o bolso. Veja os mais comuns:

TipoComo é
Crazy pavingPedras naturais irregulares com juntas aparentes
ConcregramaBlocos vazados preenchidos com grama ou pedrisco
Intertravado permeávelPeças encaixadas com juntas que deixam a água passar
Piso fulgetCimento com pedras moídas, superfície contínua

Cada um tem seu uso. O crazy paving brilha em caminhos e áreas de estar, o concregrama vai bem em vagas esporádicas, e o intertravado dá um visual mais urbano e limpo.

Onde o concreto ainda manda

Vale ser honesto: a ideia não é demolir todo o cimento da casa. O concreto continua sendo a melhor escolha onde se exige resistência de verdade, como garagem que recebe o peso do carro, rampas e áreas de tráfego pesado.

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O que mudou foi parar de usar concreto em todo o quintal por automatismo. A tendência é usá-lo com critério, reservando o cimento para os pontos que precisam de força e abrindo espaço para o permeável no resto. E a troca não pode ser improvisada: antes de tirar o concreto, é preciso olhar o tipo de solo, o caimento do terreno e por onde as pessoas circulam.

Um quintal que responde melhor ao clima

No fim, essa volta dos anos 60 diz muito sobre o jeito de morar de hoje. O quintal deixou de ser só uma laje fácil de limpar e voltou a ser pensado como um espaço vivo, que combina com o verde, segura a água da chuva e refresca a casa nos dias quentes. Bonito, funcional e mais esperto diante do clima, ele prova que às vezes a melhor novidade é uma boa ideia antiga repaginada.

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