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Autoestima baixa e o efeito transformador da leitura na construção de uma autoestima saudável

Ilustração de mulher lendo um livro, com cérebro destacado e borboletas ao redor da cabeça sobre fundo lilás.
© Studio Katia Ribeiro

Há livros que terminamos e há livros que, de alguma maneira, continuam acontecendo dentro de nós. Quando a autoestima está fragilizada, a leitura pode criar um intervalo entre aquilo que pensamos sobre nós mesmos e aquilo que talvez sejamos de fato. Não se trata de afirmar que um livro “cura” baixa autoestima, mas de reconhecer sua capacidade de provocar reflexão e oferecer novas linguagens para compreender nossas experiências. Uma revisão sobre biblioterapia encontrou evidências de benefícios de intervenções baseadas em leitura para diferentes necessidades de saúde mental, especialmente quando utilizadas de maneira estruturada.

Ler também é uma experiência para o cérebro

Quando mergulhamos verdadeiramente em uma história, o cérebro não permanece indiferente. Eu estava fazendo algumas pesquisas e me deparei com um estudo, onde pesquisadores da Emory University acompanharam participantes por meio de ressonância magnética antes, durante e depois da leitura e encontraram mudanças mensuráveis na conectividade cerebral, inclusive em regiões relacionadas à compreensão de histórias e à tomada de perspectiva; algumas alterações permaneceram por dias após o término da leitura. Talvez exista aqui uma bela tradução científica para uma experiência que leitores conhecem intuitivamente: fechamos o livro, mas alguma coisa dele permanece aberta em nós.

Depois de determinadas leituras, já não enxergamos a vida exatamente do mesmo lugar

Livros nos emprestam temporariamente outros olhos. Entramos na consciência de personagens, autores e pensadores que organizam a existência de maneiras que talvez nunca tivéssemos considerado. Um outro estudo que encontrei publicado na Science encontrou melhora temporária em medidas de Teoria da Mente após a leitura de uma ficção literária , aliás, nao sei se você conhece o termo, mas Teoria da Mente é a capacidade relacionada a compreender estados mentais de outras pessoas —embora pesquisas posteriores tenham encontrado resultados mistos, é algo que podemos considerar possível. E mesmo assim, indo pra um viés mais filosófico, existe algo poderoso nessa experiência: quando descobrimos que há outras maneiras de interpretar o mundo, começamos também a questionar a maneira rígida como interpretamos a nós mesmos.

Algumas leituras podem nos convidar a:

  • Reconhecer a diferença entre um pensamento e uma verdade.
  • Questionar padrões impossíveis que usamos para medir nosso próprio valor.
  • Enxergar erros como acontecimentos, e não como definições de identidade.
  • Conhecer experiências humanas diferentes das nossas.
  • Construir um diálogo interno mais consciente e menos automático.

Talvez fortalecer a autoestima comece por ampliar a história que contamos sobre nós mesmos

A baixa autoestima pode nos prender a narrativas como “não sou suficiente” ou “preciso da aprovação dos outros para ter valor”. Um bom livro não apaga essas frases, mas coloca novas possibilidades ao lado delas. Mas é bom ressaltar que para muitos casos, a leitura não substitui psicoterapia ou tratamento quando necessários.

Um livro pode modificar as perguntas que somos capazes de fazer sobre quem somos. Para continuar essa reflexão, sugiro que veja esta seleção de 5 livros aclamados por leitores sobre o tema. Às vezes, reconstruir a relação consigo começa permitindo que uma nova ideia ocupe o lugar de uma antiga certeza.

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