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Artesã transforma sapatinhos de crochê em negócio e fatura R$ 171 mil em 6 meses

Duas mulheres comemoram juntas dentro de um ateliê repleto de peças artesanais, plantas, cestos e itens de crochê.
Teruko Kato (à direita) e Bárbara Naomi estão à frente da Barbarela, marca especializada em sapatinhos artesanais de crochê. No primeiro semestre de 2026, o negócio alcançou um faturamento de R$ 171 mil. — Foto: Divulgação / Reprodução: revistapegn.globo

Um par de sapatinhos de crochê pode parecer apenas uma peça delicada para presentear um bebê. Para a artesã Teruko Kato, porém, esse produto artesanal acabou se tornando o centro de um negócio que faturou R$ 171 mil somente nos primeiros seis meses de 2026.

A história da marca Barbarela, contada pela Pequenas Empresas & Grandes Negócios, chama atenção justamente porque mostra o que pode acontecer quando o crochê deixa de ser vendido apenas como artesanato e passa a ser apresentado como um produto autoral, exclusivo e presenteável.

E o começo foi bem mais simples do que o faturamento atual faz imaginar.

Antes dos R$ 171 mil, havia uma bicicleta e peças artesanais

Teruko começou vendendo bijuterias artesanais em uma bicicleta na Avenida Paulista, em São Paulo. Com o tempo, percebeu que os sapatinhos de crochê despertavam um interesse especial e passou a direcionar o trabalho para esse produto.

Hoje, ela toca a Barbarela ao lado da filha, Bárbara Naomi. Em 2025, a marca faturou R$ 120 mil. Apenas entre janeiro e junho de 2026, o faturamento chegou aos R$ 171 mil — mais do que em todo o ano anterior.

É uma trajetória que lembra, em outro contexto e outra escala, uma história conhecida do empreendedorismo feminino brasileiro. A Giovanna Baby também nasceu ligada à produção de roupas infantis, quando Giovanna Kupfer começou a criar peças para as próprias filhas e percebeu o interesse de outras mães. O negócio que começou pequeno posteriormente se transformaria na marca conhecida nacionalmente.

As duas histórias são diferentes, mas deixam uma pista interessante para quem sonha com um ateliê: começar pequeno não significa pensar no produto de qualquer jeito.

Inclusive, Se você gostou desta matéria, vai amar conhecer a história da Giovanna Baby e descobrir como peças infantis ajudaram a dar os primeiros passos de uma marca que atravessou gerações. Uma inspiração e tanto para quem sonha em criar o próprio ateliê de crochê infantil!

Um sapatinho pode custar R$ 279 — mas há uma razão para isso

Um dos modelos da Barbarela é vendido por R$ 279 e exige cerca de quatro horas de trabalho para ser produzido. A empresa consegue confeccionar aproximadamente 50 a 70 pares por mês, enquanto o tíquete médio das compras chegou a R$ 530.

Esses números ajudam a desmontar uma ideia comum sobre artesanato: cobrar apenas o preço do novelo e acrescentar uma pequena margem.

Quem pretende transformar crochê em renda precisa colocar na conta material, horas de trabalho, embalagem, custos de venda e margem do negócio. Um sapatinho que leva horas para ficar pronto não pode ser precificado como se fosse um produto fabricado em série.

O caso da Barbarela mostra ainda outro caminho: em vez de disputar exclusivamente pelo menor preço, a marca posicionou os sapatinhos como peças autorais para presentear.

O que fez os sapatinhos ganharem milhões de visualizações

Ter um produto bonito não encerrou o trabalho. As redes sociais passaram a exercer um papel importante na divulgação da marca.

Um vídeo mostrando uma coleção de sapatinhos inspirados em ouriços ultrapassou 2,4 milhões de visualizações. Em outro lançamento, 13 pares destinados ao comércio eletrônico foram vendidos em apenas cinco minutos.

É justamente aí que existe uma lição interessante para uma artesã que está começando agora. O conteúdo não precisa mostrar somente a peça pronta.

A escolha das linhas, o sapatinho tomando forma, os detalhes sendo finalizados, a montagem de um pedido e a embalagem pronta para presente são partes do trabalho que normalmente ficam escondidas — e podem se transformar no conteúdo que apresenta quanto trabalho existe por trás de uma peça artesanal.

Um novelo, uma ideia e a primeira venda

Se você já sabe crochetar e pensa em transformar a habilidade em renda, talvez não precise começar imaginando uma grande empresa. Escolha um gráfico, produza seu primeiro par com acabamento impecável, descubra quanto ele realmente custa e coloque seu trabalho diante das pessoas.

O primeiro sapatinho pode não render R$ 171 mil. Mas pode mostrar se existe algo muito mais importante no início de qualquer ateliê: alguém disposta a pagar pelo valor do que você sabe criar.

Link da matéria: https://revistapegn.globo.com/mulheres-empreendedoras/noticia/2026/07/artesa-cria-marca-de-sapatinhos-de-croche-viraliza-nas-redes-e-fatura-r-171-mil-em-seis-meses.ghtml

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