
Perfume, relógio, roupa, jantar ou aquela ferramenta que ele comentou meses atrás? Quando o Dia dos Pais se aproxima, é fácil cair naquela dúvida: o que eu compro para alguém que parece já ter tudo? A ciência não possui uma fórmula para encontrar “o presente perfeito para pais”, mas pesquisas sobre o ato de presentear revelam alguns erros que cometemos justamente quando estamos tentando agradar. E talvez a primeira lição seja abandonar a ideia de que existe um presente que todo homem gostaria de receber.
1. Se ele disse o que quer, talvez seja melhor escutá-lo
Sabe aquela vontade de ignorar o que seu pai pediu porque você quer surpreendê-lo com algo “mais especial”? Talvez seja melhor repensar. Francesca Gino e Francis Flynn (2011), em estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology, encontraram que quem recebe tende a apreciar mais presentes que havia solicitado do que quem presenteia imagina.
Ou seja: se seu pai comentou que precisa de um tênis, quer determinado perfume ou está namorando uma churrasqueira há meses, comprar exatamente aquilo não torna seu presente menos carinhoso. Às vezes, demonstrar que você prestou atenção é a própria surpresa.
2. Pense no que continuará sendo bom depois que o embrulho for aberto

Outro erro interessante foi discutido por Galak, Givi e Williams (2016) na revista Current Directions in Psychological Science. Segundo os pesquisadores, quem presenteia costuma prestar muita atenção naquele instante da entrega: a surpresa, o sorriso, o “uau!” , enquanto quem recebe tende a valorizar também aquilo que o presente proporcionará posteriormente.
Antes de comprar, faça algumas perguntas:
- Meu pai realmente vai usar isso?
- Combina com os hábitos dele?
- Resolve alguma necessidade?
- Ele gostaria disso ou eu gostaria que ele gostasse?
- Esse presente continuará sendo interessante daqui a alguns meses?
Um presente menos impressionante no momento da entrega pode acabar sendo muito mais querido no cotidiano.
3. Talvez o melhor presente nem caiba dentro de uma caixa
Aqui está uma possibilidade especialmente bonita para o Dia dos Pais. Cindy Chan e Cassie Mogilner (2017) encontraram que presentes experienciais podem favorecer uma conexão social mais forte entre quem presenteia e quem recebe do que presentes materiais.
Então pense também em experiências:
- Levar seu pai ao restaurante que ele adora.
- Comprar ingressos para assistirem a um jogo juntos.
- Fazer uma pequena viagem.
- Ir a um show de uma banda que marcou a vida dele.
- Preparar um almoço especial em família.
- Planejar um passeio relacionado a algum hobby dele.
- Recriar um programa que vocês costumavam fazer quando você era criança.
Nesse caso, você não entrega somente um presente. Entrega uma experiência que pode posteriormente virar memória.
4. Mais caro não significa necessariamente mais amor
Talvez essa seja a melhor notícia para quem está com o orçamento apertado neste Dia dos Pais. Em pesquisa de Flynn e Adams (2009), quem dava o presente tendia a imaginar uma relação entre preço e apreciação maior do que aquela percebida por quem recebia.
Isso não significa que um presente caro não possa ser maravilhoso. Significa apenas que preço não funciona como uma medida automática de afeto. Um livro de R$ 50 que seu pai queria muito pode ser emocionalmente mais significativo do que um objeto de R$ 1.000 escolhido apenas para impressionar.
Então… qual é o melhor presente para o Dia dos Pais?
Depois dessas pesquisas, talvez você tenha percebido que não vou terminar indicando “os cinco melhores perfumes para pais” ou “dez presentes que todo homem deseja”. A ciência não sustenta uma fórmula tão simples.
Em vez disso, tente seguir quatro princípios:
- Escute: se ele já disse o que gostaria de ganhar, considere levar isso a sério.
- Pense no longo prazo: escolha algo que faça sentido depois do momento da entrega.
- Considere experiências: principalmente aquelas que vocês possam compartilhar.
- Não confunda preço com significado: carinho não vem necessariamente acompanhado de uma etiqueta cara.
Talvez o melhor presente seja justamente aquele que demonstra uma coisa muito simples: eu conheço você.
E se estiver completamente sem dinheiro, ainda existe algo que nenhuma loja consegue colocar em promoção: tempo. Prepare o café que ele gosta, cozinhe alguma coisa, reveja fotografias antigas, sente para conversar ou passe algumas horas fazendo aquilo que ele adora.
No final, talvez a ciência esteja apenas nos ajudando a perceber algo que nossos pais já sabiam há muito tempo: um bom presente não precisa mostrar quanto você gastou. Precisa mostrar o quanto você conhece aquela pessoa.
