
Já aconteceu comigo de começar uma peça circular de crochê e perceber, depois de algumas carreiras, que ela não estava ficando como deveria. Em vez de permanecer plana, a peça começava a formar ondas na borda ou a levantar no centro, ficando com aquele formato que parece uma pequena tigela. E quantas vezes acabou resolvendo fazer um chapeuzinho ou uma touca? Quem nuncaaaa?
Quando isso acontece, minha primeira reação é parar e olhar a peça sobre uma superfície plana. Aprendi que não adianta simplesmente continuar trabalhando e esperar que o problema desapareça. No crochê, o formato que a peça começa a apresentar costuma dar uma pista importante sobre o que está acontecendo com os aumentos.
Por que meu crochê fica embabadado?
Quando meu crochê começa a formar ondas, uma das primeiras coisas que verifico é a quantidade de aumentos.
Nos trabalhos circulares, os aumentos são necessários para fazer a peça crescer. O problema aparece quando estou criando tecido demais para aquele formato.
Nesse caso, a borda não consegue ficar acomodada e começa a formar pequenas ondas ou babados.
Eu costumo observar principalmente:
- se fiz aumentos demais;
- se algum aumento foi repetido onde não deveria;
- se a contagem dos pontos está correta;
- se distribuí os aumentos de maneira adequada;
- se minha tensão mudou durante a execução.
Como percebo que há tecido demais?
Coloco a peça sobre a mesa e não puxo nem tento alisar com as mãos.
Se a borda continuar formando ondas, isso me indica que existe uma sobra de tecido.
Esse teste simples já me ajuda bastante a decidir se preciso voltar algumas carreiras.
E quando meu crochê começa a virar uma tigela?
Aqui eu faço uma observação diferente.
Quando a peça começa a levantar e fica parecendo uma tigela, verifico se não estou fazendo poucos aumentos.
Nesse caso, o tecido não está crescendo o suficiente para acompanhar o formato circular.
Eu confiro:
- a quantidade de aumentos da carreira;
- a contagem total de pontos;
- se deixei algum aumento para trás;
- se minha tensão está muito apertada;
- se a agulha está adequada ao fio.
Essa diferença é importante para mim:
Se faz ondas, penso primeiro em excesso de tecido.
Se começa a virar uma tigela, verifico se está faltando crescimento.
Não uso isso como uma regra absoluta para todas as peças, mas é um excelente ponto de partida para descobrir o que está acontecendo.
Como sei se o problema está nos aumentos?
Quando percebo que a peça está ficando estranha, eu paro de trabalhar e faço uma conferência.
Primeiro conto os pontos da última carreira.
Depois comparo com a receita.
Também verifico onde os aumentos deveriam estar.
Às vezes, um erro pequeno na contagem vai se repetindo e só fica evidente algumas carreiras depois.
Por isso, hoje prefiro perder alguns minutos conferindo os pontos do que continuar trabalhando e descobrir o problema quando já estou muito mais adiante.
Meu crochê está embabadado. O que faço?
Quando identifico que a peça está formando ondas, não tento simplesmente esticar a borda.
Isso pode até fazer a peça parecer mais plana por alguns segundos, mas não resolve a causa.
Eu volto até a carreira em que percebi que o problema começou.
Então faço novamente a contagem dos pontos e dos aumentos.
Se encontro um erro, corrijo naquele ponto.
Essa é uma das coisas que aprendi fazendo crochê: quanto antes eu percebo o problema, menos trabalho tenho para desfazer.
E se minha receita estiver correta?
Isso também já me fez parar algumas vezes para investigar.
Posso seguir a receita corretamente e, ainda assim, a minha peça apresentar um resultado diferente.
Nesse caso, observo minha tensão.
A forma como eu seguro o fio e faço os pontos influencia bastante o resultado.
Também considero:
- espessura do fio;
- tipo de fio;
- tamanho da agulha;
- tensão dos pontos;
- ponto utilizado.
Uma receita não necessariamente terá exatamente o mesmo comportamento quando eu troco o fio ou trabalho com uma tensão diferente.
A agulha pode fazer meu crochê embabadar?
Pode influenciar, sim.
Quando percebo que o tecido está muito solto ou muito rígido, também observo a agulha.
Não gosto de simplesmente trocar a numeração sem antes entender o que aconteceu.
Faço uma pequena amostra e observo o comportamento do tecido.
Às vezes, uma pequena mudança na combinação entre fio, agulha e minha tensão já modifica bastante o resultado.

Como descubro se estou errando nos aumentos?
Quando fico em dúvida, faço um teste simples.
Primeiro teste
Repito uma pequena parte da receita exatamente como está indicada.
Segundo teste
Faço outra amostra prestando mais atenção à minha tensão.
Terceiro teste
Se ainda houver diferença, experimento outra combinação de fio e agulha.
Assim consigo comparar os resultados e descobrir se o problema está realmente na quantidade de aumentos ou se minha forma de executar os pontos está interferindo.
Crochê embabadado ou em formato de tigela?
Eu uso esta comparação como um primeiro diagnóstico:
| O que acontece comigo | O que eu verifico primeiro |
|---|---|
| A borda começa a formar ondas | Excesso de aumentos |
| A peça começa a levantar | Falta de aumentos |
| Um lado fica diferente do outro | Contagem e distribuição |
| A peça fica muito rígida | Tensão e agulha |
| A receita está certa, mas o formato não | Fio, agulha e tensão |
| O problema aparece de repente | Carreira em que comecei a errar |
Não considero essa tabela uma fórmula rígida. Ela serve como ponto de partida para investigar o que aconteceu.

Quando eu desmancho a peça?
Se percebo que a peça está ficando muito ondulada ou formando uma tigela, prefiro parar.
Coloco o trabalho sobre uma superfície plana e observo.
Depois tento descobrir em qual carreira o formato começou a mudar.
Se consigo localizar o ponto do problema, volto até ali e refaço.
Pode dar uma certa preguiça desmanchar, principalmente quando já trabalhei várias carreiras. Mas, pela minha experiência, continuar esperando que o problema se resolva sozinho costuma dar mais trabalho depois.
Meu checklist antes de terminar nossa postagem por aqui
Quando uma peça circular começa a ficar estranha, eu faço estas perguntas:
A borda está fazendo ondas?
Verifico os aumentos.
Está ficando com formato de tigela?
Verifico se estão faltando aumentos.
Um lado está diferente do outro?
Confiro a contagem e a distribuição.
A receita está correta?
Observo minha tensão.
O tecido está muito rígido ou muito solto?
Avalio fio e agulha.
Consigo identificar onde o problema começou?
Volto até aquela carreira.
Esse pequeno diagnóstico costuma me poupar bastante tempo.
Conclusão
Quando meu crochê fica embabadado ou começa a virar uma tigela, eu não tento corrigir imediatamente fazendo mais pontos ou retirando aumentos de qualquer maneira. Primeiro observo o formato da peça, confiro a contagem e tento descobrir em que momento o problema começou.
Com o tempo, aprendi a prestar atenção nessas pequenas mudanças durante a execução. A borda começa a me mostrar quando alguma coisa não está equilibrada, seja nos aumentos, na tensão, no fio ou na agulha.
E quanto mais cedo eu percebo, mais fácil fica corrigir sem precisar desfazer uma peça inteira.
Antes de sair veja também estas dicas de croche para iniciantes
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