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Autoestima baixa e as 3 diretrizes que podem transformar a sua relação consigo mesma

Mulher ao ar livre com os braços erguidos e polegares para cima em gesto de confiança e autoestima.
Gestos de confiança e valorização pessoal representam a construção de uma relação mais positiva consigo mesma e o fortalecimento da autoestima. © Studio Katia Ribeiro

Bom dia queirdas leitoras!

Você já percebeu como uma única crítica pode permanecer ecoando na mente durante dias, enquanto diversos elogios parecem desaparecer quase imediatamente? A autoestima nasce, em parte, desse diálogo silencioso que mantemos conosco: da maneira como interpretamos nossas virtudes, nossas falhas e o valor que atribuímos àquilo que somos. Pesquisas de Ulrich Orth e Richard W. Robins mostram que a autoestima possui certa estabilidade ao longo do tempo, mas não é uma estrutura imutável; ela pode se transformar à medida que atravessamos diferentes fases da existência.

Antes de continuar, convém desfazer algumas ideias sobre autoestima que se tornaram comuns em nossa cultura. Muitas delas parecem verdades à primeira vista, mas acabam reduzindo uma experiência humana que é complexa a definições simples demais:

  • “Autoestima é se achar bonito.” A aparência é apenas uma dimensão daquilo que pensamos sobre nós mesmos; nosso valor não se encerra naquilo que o espelho consegue mostrar.
  • “Ou se tem amor-próprio ou não se tem.” O amor-próprio não é um estado absoluto, mas uma relação que pode amadurecer e se transformar.
  • “Quem tem autoestima nunca fica inseguro.” A segurança não significa ausência de dúvida; significa não permitir que toda dúvida se transforme em uma definição de quem somos.
  • “Preciso amar tudo em mim.” Reconhecer imperfeições não significa rejeitar a própria existência. Podemos admitir nossas limitações sem reduzir nosso valor a elas.
  • “Só importa o que eu penso sobre mim.” Nossa identidade também se forma no encontro entre aquilo que acreditamos ser e as experiências que vivemos com o mundo.
  • “Você ainda não é bom o bastante.” Talvez autoestima não seja alcançar uma versão perfeita de si, mas aprender a reconhecer dignidade mesmo enquanto ainda estamos nos tornando quem desejamos ser.

O que muda quando nossa autoestima melhora?

Não estamos falando apenas de olhar no espelho e gostar mais da própria imagem. Um estudo longitudinal de Ulrich Orth, Richard W. Robins e Keith F. Widaman, que acompanhou 1.824 pessoas de 16 a 97 anos ao longo de 12 anos, investigou como a autoestima se relaciona com diferentes aspectos da vida. Os resultados indicaram efeitos prospectivos sobre áreas como satisfação nos relacionamentos e no trabalho, afetos, depressão e, em menor grau, saúde física. Em outras palavras, aquilo que pensamos sobre nós mesmos não permanece apenas dentro de nós: pode alcançar a maneira como nos relacionamos com a própria existência e com o mundo.

Entre os possíveis benefícios associados a uma autoestima mais saudável estão:

  • Maior bem-estar psicológico.
  • Relações interpessoais mais satisfatórias.
  • Maior satisfação com a vida profissional.
  • Maior capacidade de reconhecer qualidades e limitações.
  • Uma percepção do próprio valor menos dependente da aprovação externa.

E é justamente daqui que podemos retirar três diretrizes para trabalharmos diariamente:

1. Separe sentimento de identidade

“Eu me sinto feia hoje” não significa “eu sou feia”. “Eu fracassei nisso” não significa “eu sou um fracasso”.

Existe uma distância importante entre experimentar algo e tornar-se aquilo que foi experimentado. Um sentimento pertence a um momento; uma identidade pretende definir uma existência inteira. Aprender a perceber essa diferença significa impedir que acontecimentos passageiros se transformem em sentenças permanentes sobre quem somos.

2. Produza evidências de competência

Em vez de esperar que a confiança apareça para então começar, experimente inverter essa lógica.

Aprenda algo novo, pratique uma atividade, conclua aquela tarefa constantemente adiada, desenvolva uma habilidade ou enfrente uma pequena situação que normalmente evitaria. A confiança nem sempre antecede a ação; muitas vezes ela nasce dela. Cada experiência concluída acrescenta uma pequena evidência concreta à percepção que construímos sobre nossa própria capacidade.

Assim, você não precisa permanecer apenas repetindo “eu consigo”. Com o tempo, poderá olhar para aquilo que viveu e dizer algo ainda mais concreto: “eu fiz.”

3. Aja a partir do autorrespeito

Pergunte a si mesmo: se eu realmente acreditasse que mereço respeito, o que faria diferente hoje?

Talvez você estabelecesse um limite, cuidasse melhor da própria saúde, permitisse a si mesma descansar sem culpa ou deixasse de aceitar determinado tratamento. Autorrespeito não significa egoísmo. Significa compreender que sua existência também possui dignidade e, portanto, merece ocupar espaço entre as coisas que você considera importantes.

O poder de construir uma autoimagem positiva

Autoimagem não significa simplesmente considerar-se uma pessoa bonita. Quando falamos especificamente de imagem corporal, estamos falando de uma relação mais profunda: pensamentos, sentimentos, julgamentos e atitudes que construímos diante do próprio corpo. O corpo não é apenas algo que observamos de fora; é também o lugar através do qual experimentamos a existência.

Agora olhe isso: uma grande revisão sistemática e meta-análise conduzida por Jake Linardon, Zoe McClure, Tracy L. Tylka e Matthew Fuller-Tyszkiewicz reuniu 240 artigos sobre apreciação corporal. Os pesquisadores encontraram associações consistentes entre maior apreciação do corpo e indicadores mais elevados de bem-estar, além de associações negativas com diferentes indicadores de psicopatologia. Isso não significa que apreciar o próprio corpo resolva sozinho todas essas questões, especialmente porque grande parte dos estudos analisados era transversal; significa que existe uma relação relevante entre a maneira como habitamos nosso corpo e nosso bem-estar psicológico.

Outro trabalho de Jake Linardon, Mariel Messer e Tracy L. Tylka examinou especificamente a chamada apreciação da funcionalidade: reconhecer e respeitar o corpo também por aquilo que ele é capaz de realizar, e não somente por sua aparência. A revisão reuniu 56 estudos e encontrou relações consistentes entre essa forma de apreciação e padrões mais adaptativos de imagem corporal, alimentação e saúde mental.

Para trabalhar essa relação:

  • Observe a maneira como você conversa consigo mesmo diante do espelho.
  • Questione comparações alimentadas por redes sociais, filtros e padrões irreais.
  • Lembre-se de que você também é suas habilidades, seus valores, sua inteligência, suas escolhas e sua história.
  • Use maquiagem, roupas, cabelo ou outros recursos quando forem formas de expressão e prazer, e não condições para sentir que merece ser aceito.
  • Valorize não apenas a aparência do seu corpo, mas também aquilo que ele permite que você experimente.
  • Não espere encontrar uma versão “perfeita” de si para começar a viver.
  • E procure ajuda psicológica quando questões relacionadas à autoestima ou à aparência estiverem provocando sofrimento significativo.

No final, as três diretrizes se encontram em uma mesma ideia: não transforme aquilo que você sente em tudo aquilo que você é; construa experiências que revelem aquilo que você é capaz de fazer e tome decisões coerentes com o respeito que deseja desenvolver por si mesma.

Autoestima não costuma nascer de uma revelação repentina. Ela é construída lentamente, na repetição das pequenas escolhas, na maneira como respondemos aos próprios pensamentos e na coragem de não reduzir nossa existência aos nossos piores momentos. Talvez construir autoestima seja justamente isso: aprender que reconhecer nossas imperfeições não nos obriga a esquecer nosso próprio valor.

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