
Contar pontos e carreiras no crochê parece simples, mas eu sei que não é bem assim. Já aconteceu comigo de estar trabalhando uma peça, parar por alguns minutos e, quando voltei, ficar olhando para o crochê tentando descobrir exatamente onde eu estava, vc tambem amiga? E já precisei voltar algumas carreiras porque percebi que tinha contado errado e só descobri o problema quando a peça já estava ficando diferente do esperado. Hoje aqui no Katia Ribeiro vc vai aprender rapidinho ;
Com o tempo, fui criando algumas maneiras de contar pontos e carreiras sem me perder, principalmente quando estou trabalhando peças maiores ou receitas que têm muitos detalhes. Hoje, antes de continuar uma peça quando tenho dúvida, prefiro parar e fazer uma contagem cuidadosa. Isso costuma me poupar muito mais tempo do que tentar adivinhar onde parei.
Por que é tão fácil se perder contando pontos e carreiras?
No crochê, nem sempre é fácil identificar cada ponto olhando rapidamente para a peça.
Isso acontece principalmente quando:
- estou trabalhando com pontos muito fechados;
- o fio é peludo ou tem textura;
- a peça tem muitos aumentos ou diminuições;
- estou trabalhando em carreiras circulares;
- existem pontos de subida;
- a receita possui várias sequências diferentes;
- preciso interromper o trabalho e retomá-lo depois.
E existe outro problema: um erro de contagem no começo pode aparecer muito mais adiante.
É por isso que eu prefiro conferir durante a execução, em vez de deixar para descobrir no final.
Como contar os pontos do crochê?
Quando quero saber quantos pontos tenho em uma carreira, primeiro coloco a peça em uma posição em que consiga enxergar os pontos com clareza.
Não conto olhando rapidamente.
Vou identificando os pontos um por um, acompanhando a carreira com o dedo ou com a própria agulha.
Em muitos pontos, a parte de cima do trabalho forma pequenos desenhos parecidos com um “V”.
Cada “V” corresponde, normalmente, a um ponto.
Então faço assim:
1. Identifico o início da carreira.
2. Localizo o primeiro ponto.
3. Vou contando cada “V”.
4. Marco mentalmente ou fisicamente a posição em que estou.
5. Continuo até chegar novamente ao início.
Se a carreira for muito longa, eu não tento guardar a contagem inteira na cabeça.
Eu marco.

O que faço para não perder a contagem?
Uma das coisas que mais me ajudam são os marcadores de pontos.
Eu coloco um marcador a cada determinada quantidade de pontos, dependendo do tamanho da peça.
Por exemplo, posso marcar a cada 10 ou 20 pontos.
Assim, se me distraio, não preciso começar tudo novamente.
Se sei que já passei por três marcadores de 10 pontos e estou trabalhando entre o terceiro e o quarto, consigo retomar a contagem com muito mais facilidade.
Para mim, isso é especialmente útil em peças grandes.
Uma dica que funciona muito bem
Se a receita determina uma sequência de pontos, eu também posso usar marcadores para separar essas repetições.
Por exemplo:
10 pontos → marcador → 10 pontos → marcador → 10 pontos.
Além de facilitar a contagem, isso me ajuda a perceber rapidamente quando alguma parte da carreira ficou diferente.
Como contar carreiras no crochê?
Contar carreiras é um pouco diferente de contar pontos.
Eu procuro identificar as linhas horizontais ou fileiras de pontos que vão se formando no trabalho.
Em uma peça feita com pontos baixos, por exemplo, consigo observar uma sequência de carreiras sobrepostas.
Vou contando uma por uma:
1ª carreira
2ª carreira
3ª carreira
4ª carreira
E assim por diante.
Mas existe um detalhe que sempre observo: a carreira de subida.
Dependendo da receita e do ponto utilizado, as correntinhas de subida podem ou não ser consideradas como um ponto.
Por isso, eu não conto automaticamente toda correntinha de subida como um ponto.
Eu sigo o que a receita determina.

Como não confundir carreira com ponto?
Essa é uma dúvida muito comum.
Eu penso assim:
Ponto = movimento na horizontal.
Carreira = linha que vai se formando na vertical.
Se estou fazendo uma peça reta, posso contar os pontos olhando de um lado para o outro.
Para saber quantas carreiras já fiz, observo as fileiras que vão se acumulando de baixo para cima.
Quando tenho dúvida, faço uma pequena marca na primeira carreira e começo a contar a partir dela.
Isso facilita bastante.
Como contar pontos no crochê circular?
Nas peças circulares, eu presto ainda mais atenção. Quando a peça começa a embabadar ou tomar formato de tigela, eu confiro primeiro a quantidade e a distribuição dos aumentos.
É muito fácil perder o início da carreira, principalmente quando estou trabalhando em espiral.
Quando a peça é feita em carreiras fechadas, costumo colocar um marcador no primeiro ponto da carreira.
Assim consigo identificar exatamente onde começa uma nova volta.
Quando estou trabalhando em espiral, o marcador se torna ainda mais importante.
Eu o movo conforme avanço.
Dessa maneira, não fico tentando descobrir depois onde uma carreira começou.
Como contar aumentos sem me perder?
Quando estou fazendo uma peça circular, não conto apenas os pontos.
Também observo os aumentos.
Por exemplo, se uma receita pede:
1 ponto baixo + 1 aumento
eu preciso manter essa sequência durante toda a carreira.
Para não me perder, costumo dividir mentalmente ou com marcadores a carreira em pequenos blocos.
Assim consigo conferir:
1 ponto + aumento
1 ponto + aumento
1 ponto + aumento
Se a peça começa a ficar torta, ondulada ou com formato de tigela, uma das primeiras coisas que verifico é justamente a contagem dos pontos e dos aumentos.
Como saber se pulei um ponto?
Quando percebo que minha contagem não bate, não saio imediatamente desmanchando tudo. Se a primeira carreira começar a repuxar, eu também verifico a contagem dos pontos.
Primeiro procuro o ponto em que o erro aconteceu.
Vou voltando pela carreira e observo os pontos.
Procuro principalmente:
- um espaço que parece maior;
- um ponto que ficou muito apertado;
- um “V” que não está sendo contado;
- um ponto escondido;
- um aumento que deveria existir;
- um ponto que foi trabalhado duas vezes;
- um ponto de subida confundido com um ponto comum.
Muitas vezes o ponto perdido está justamente na borda.
Por isso, sempre presto bastante atenção ao primeiro e ao último ponto da carreira.
O que faço quando preciso parar o crochê?
Essa foi uma das coisas que mais me ajudou a não me perder.
Quando preciso interromper uma peça no meio da carreira, não confio na memória.
Faço uma anotação.
Pode ser algo simples, como:
Carreira 12 — faltam 8 pontos.
Ou:
Comecei o aumento. Estou no 5º grupo.
Se estou trabalhando uma receita mais complicada, anoto também qual foi o último ponto que fiz.
Isso parece exagero quando estou começando, mas depois percebo como facilita a retomada.
Como marcar a carreira em que parei?
Outra possibilidade que uso é colocar um marcador diretamente no ponto onde parei.
Assim, quando volto ao trabalho, sei exatamente onde continuar.
Também posso deixar uma anotação junto da peça:
Carreira 18 — ponto alto — parei no 23º ponto.
Isso é especialmente útil quando passo alguns dias sem trabalhar naquela peça.
E se eu perder a conta?
Isso já aconteceu comigo e provavelmente é uma das situações mais frustrantes para quem faz crochê.
Quando não sei mais onde estou, minha primeira vontade pode ser simplesmente continuar.
Hoje não faço mais isso.
Eu paro.
Depois procuro uma referência que me permita reconstruir a contagem:
- marcador;
- início da carreira;
- quantidade de pontos;
- sequência da receita;
- último aumento;
- última diminuição;
- carreira anterior.
Se consigo identificar onde estava, continuo.
Se não consigo, prefiro voltar um pouco do que continuar no escuro.
Como contar pontos em peças com muitos detalhes?
Quando a peça tem muitos elementos, como aumentos, diminuições ou mudanças de ponto, eu separo a carreira em pequenas sequências.
Em vez de pensar:
“Preciso contar 80 pontos.”
Penso:
“Tenho 8 grupos de 10 pontos.”
Isso deixa a contagem muito mais fácil.
Também posso usar marcadores para separar cada grupo.
O segredo, para mim, é não tentar guardar uma sequência enorme na cabeça.
Uma tabela simples que me ajuda
| O que preciso descobrir | O que eu observo |
|---|---|
| Quantos pontos tenho? | Observo os “V” formados na parte superior da carreira. Normalmente, cada “V” corresponde a um ponto. |
| Quantas carreiras fiz? | Observo as fileiras de pontos que vão se formando verticalmente na peça. |
| Onde começa a carreira? | Uso um marcador no primeiro ponto para identificar facilmente o início. |
| Onde parei? | Coloco um marcador no ponto em que parei e anoto a carreira e o ponto. |
| Perdi um ponto? | Procuro espaços maiores, pontos escondidos ou algum “V” que não está sendo contado. |
| Fiz um aumento errado? | Confiro a sequência dos aumentos e a quantidade total de pontos da carreira. |
| Estou trabalhando em espiral? | Mantenho um marcador no ponto inicial para saber exatamente onde começa cada volta. |
Meu método para não me perder no crochê
Hoje, quando começo uma peça que exige bastante contagem, faço algumas coisas simples.
Primeiro: deixo a receita sempre por perto.
Segundo: marco o início da carreira.
Terceiro: uso marcadores para dividir sequências longas.
Quarto: anoto a carreira em que parei.
Quinto: confiro a contagem antes de avançar muitas carreiras.
Esse último passo é importante.
Eu prefiro gastar dois minutos conferindo os pontos do que descobrir depois de dez carreiras que estava trabalhando com um ponto a menos.
Uma dica que aprendi na prática
Quando termino uma carreira importante, especialmente uma que tem muitos aumentos ou diminuições, eu faço uma conferência antes de começar a próxima.
Se a receita diz que devo terminar com determinado número de pontos, confiro.
Se não bate, paro ali.
Não espero a próxima carreira.
Porque, quando avanço, fica muito mais difícil descobrir onde errei.
Como contar sem ficar refazendo tudo?
Eu também aprendi que não preciso contar cada ponto o tempo todo.
Se a receita tem uma repetição simples, posso conferir o primeiro grupo, colocar um marcador e repetir o mesmo padrão.
Por exemplo:
10 pontos → marcador → 10 pontos → marcador.
Isso torna a execução mais tranquila e reduz bastante a chance de me perder.
A ideia é fazer a contagem trabalhar a meu favor, e não transformar o crochê em uma prova de matemática.
Antes de continuar, eu faço esta conferência
Quando estou em dúvida sobre a peça, paro e verifico:
✓ Sei em qual carreira estou?
✓ Sei onde começa a carreira?
✓ Minha quantidade de pontos está correta?
✓ Fiz todos os aumentos ou diminuições?
✓ Sei exatamente onde parei?
✓ A peça está com o formato esperado?
Se tudo estiver certo, continuo.
Se alguma coisa não bater, prefiro descobrir naquele momento.
Conclusão
Contar pontos e carreiras no crochê fica muito mais fácil quando eu paro de depender apenas da memória. Marcadores, pequenas anotações e uma conferência rápida no final de cada carreira fazem uma diferença enorme, principalmente em peças maiores ou receitas com muitos detalhes.
Eu já me perdi em trabalhos por não marcar onde estava e já precisei voltar carreiras por causa de uma contagem errada. Hoje, quando percebo que a receita exige atenção, prefiro marcar, anotar e conferir.
No final, são pequenos cuidados que me ajudam a não perder tempo desmanchando uma peça inteira por causa de um ponto que ficou para trás.
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