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O que acontece com o nosso cérebro quando assistimos a filmes de terror? Veja o que a ciência diz e confira 9 dos melhores títulos na Netflix separados em níveis!

Mulher assustada assistindo a um filme de terror ao lado de um gato, representando as reações do cérebro ao medo.
© Studio Katia Ribeiro

Acompanho os vídeos da Renata Celi no YouTube há muito tempo e sempre achei muito legal o quanto ela gosta de filmes de terror. Ela falava dos filmes, tinha coleção, decoração e tudo mais relacionado a esse universo. Mas eu sou justamente o contrário: nunca fui muito fã de terror rs. Não gosto muito daquela tensão de esperar alguma coisa acontecer e muito menos de levar susto de graça.

Mas estou vivendo uma fase em que tenho tentado me desafiar mais, sair um pouco do automático e descobrir coisas novas, novas sensações… E pensei: por que não começar justamente por uma coisa que evito há tanto tempo? E, se isso ainda trouxer algum aspecto positivo, melhor ainda. Vai lendo que você vai entender onde quero chegar.

Uma pesquisa cientifica que me fez olhar para filmes de terror de outra maneira

Por acaso encontrei um estudo publicado na revista científica Personality and Individual Differences, onde os pesquisadores avaliaram pessoas durante a pandemia e observaram que fãs de terror apresentaram menor sofrimento psicológico, enquanto pessoas com maior curiosidade mórbida mostraram maior resiliência positiva. Os autores levantam a hipótese de que ficções assustadoras podem funcionar como uma espécie de simulação: experimentamos ameaças e emoções desconfortáveis dentro de um contexto seguro. Isso é só uma associação, e não prova que assistir a terror torne alguém mais resiliente, mas pra mim fez algum sentido isso.

Então resolvi me desafiar!

Vou experimentar esse desconforto sabendo que estou seguro em casa rs, e que se ficar demais, existe sempre um maravilhoso botão chamado desligar.

E fica uma ressalva importante: se filmes de terror podem provocar ansiedade intensa ou um desconforto que você simplesmente não deseja sentir, não existe benefício em se obrigar a assistir. Estou compartilhando o que eu vou fazer, os filmes que separei pra assistir, para quem, como eu, sente curiosidade em testar os próprios limites de maneira voluntária e divertida.

Minha escadinha do medo: do mais tranquilo ao teste final

Depois de decidir encarar o desafio, pesquisei resenha de leitores em fóruns e organizei os filmes em níveis de intensidade. Essa classificação é editorial, não científica: medo é extremamente pessoal. A proposta que fiz pra mim e vou compartilhar com vocês é simplesmente começar mais de boa e ir aumentando a tensão progressivamente.

Nível 1 — Entrando no clima

1. Rua do Medo: 1978 – Parte 2
Um acampamento de verão vira cenário para uma sequência brutal de acontecimentos ligados à maldição de Shadyside. Tem clima adolescente, suspense e bastante sangue, mas sua estrutura de slasher torna a experiência mais divertida para começar.

2. 1922
Baseado em uma história de Stephen King, acompanha um fazendeiro que conspira para assassinar a esposa e passa a enfrentar as consequências psicológicas e sobrenaturais de sua decisão. É mais sombrio e perturbador do que assustador por sustos.

Nível 2 — Agora começa a ficar desconfortável

3. Sob a Sombra
Durante a guerra Irã-Iraque, uma mãe e sua filha permanecem em um prédio em Teerã enquanto acontecimentos cada vez mais estranhos sugerem que talvez as bombas não sejam a única ameaça ao redor delas.

4. Creep
Um cinegrafista aceita um trabalho aparentemente simples: passar um dia filmando um desconhecido em uma casa isolada. O comportamento do contratante, porém, começa a ficar cada vez mais estranho. É aquele terror que faz você perceber que alguma coisa está errada antes de conseguir explicar exatamente o quê.

Nível 3 — Já não é tão confortável

5. Irmã Morte
Ambientado na Espanha do pós-guerra, acompanha uma jovem noviça que chega a um antigo convento transformado em escola para meninas e começa a descobrir acontecimentos perturbadores ligados ao passado do lugar.

Nível 4 — Talvez seja melhor deixar alguma luz acesa

7. O Ritual
Quatro amigos fazem uma caminhada por uma floresta na Suécia e resolvem pegar um atalho. Péssima decisão. A viagem rapidamente se transforma em uma experiência envolvendo culpa, isolamento e uma presença assustadora entre as árvores.

8. Host
Um grupo de amigas decide realizar uma sessão espírita por videochamada. O que deveria ser uma brincadeira virtual começa a ganhar consequências bastante reais. É curto, claustrofóbico e usa a familiaridade das chamadas de vídeo para aumentar o desconforto.

Nível 5 — O teste final

9. His House
Um casal de refugiados tenta reconstruir a vida na Inglaterra depois de fugir do Sudão do Sul, mas acontecimentos sobrenaturais começam dentro da nova casa. O terror se mistura a temas como trauma, culpa, deslocamento e sobrevivência.

10. Incantation
Construído como found footage, acompanha uma mulher tentando proteger a filha das consequências de uma maldição relacionada a um ritual ocorrido anos antes. É daqueles filmes que brincam com a sensação de que quem está assistindo também está participando da história.

Agora é apertar o play

Sabe quando jogamos videogame, lutando até chegar no chefão? É assim que imagino assistir essa lista. Talvez eu chegue ao décimo filme e continue dizendo que odeio terror. Talvez durma de luz acesa depois do terceiro. Ou talvez descubra que passei anos evitando uma experiência que poderia ser divertida justamente porque me permite brincar com o medo dentro de um ambiente seguro.

E acho que a parte mais interessante do desafio é questionar uma certeza antiga: será mesmo que filme de terror não é para mim ou eu nunca fiquei tempo suficiente para descobrir?

Agora é preparar a pipoca, começar pelo primeiro nível e apertar o play!

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