A grama artificial foi vendida como o gramado perfeito, sempre verde, sem necessiadade de poda ou rega, mas o problema aparece depois que ela já está instalada

Lucas Sampaio
Lucas Sampaio
Sou apaixonado por transformar ideias em experiências de leitura irresistíveis. Como redator e estrategista de conteúdo, minha missão é conectar informação aos leitores através de textos dinâmicos, úteis e assertivos, há mais de 3 anos no mercado em diferentes nichos.
Close de folhas secas caídas sobre uma grama artificial verde que faz divisa com o meio-fio rústico de uma calçada de concreto.
A manutenção da grama sintética exige a varrição periódica de folhas secas e pequenos detritos para preservar a estética.

A grama artificial chegou prometendo o sonho: gramado sempre verde, sem cortar, sem regar, sem barro. Mas quem instala costuma descobrir, meses depois, que existe um lado que o vendedor não conta. E o principal deles é o calor.

Vamos direto ao ponto, porque é isso que você precisa saber antes de gastar. Num dia de sol forte, a grama sintética esquenta muito mais que a natural: enquanto o gramado de verdade fica em torno de 25 °C, o sintético pode passar dos 48 °C e, no pico, chegar a temperaturas em que você não consegue pisar descalço. Some a isso a drenagem que falha em chuva forte, o cheiro que pode ficar retido e a vida útil limitada, e o “gramado perfeito” começa a mostrar suas rachaduras. Veja cada problema em detalhe.

Por que a grama sintética esquenta tanto

Aqui está o defeito número um, principalmente num país tropical como o Brasil. A grama natural transpira e o solo embaixo dela absorve parte do calor, o que mantém a superfície mais fresca.

Grama artificial verde com um grande rasgo central expondo a malha preta da base e a terra arenosa por baixo.
A exposição ao tempo e o desgaste podem causar a separação das emendas ou rasgos na base da grama artificial.

O sintético faz o oposto. Ele é feito de plástico e borracha, materiais que absorvem a radiação do sol e esquentam rápido. O resultado é uma superfície que pode ficar quente demais para crianças e pets brincarem nas horas de sol, justamente quando todo mundo quer usar o quintal. Em casos extremos de calor, o preenchimento de borracha pode até amolecer.

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A drenagem nem sempre funciona como prometem

O vendedor diz que a água escoa sozinha, e em parte é verdade: a grama é furadinha para drenar. O problema aparece em chuva forte.

Grande poça de água da chuva sobre um gramado sintético verde no quintal, refletindo o céu nublado e cercada por vasos de plantas.
O acúmulo de água na grama sintética geralmente indica problemas no nivelamento do terreno ou na drenagem da base.

O sintético não dá conta de grandes volumes de água tão bem quanto a terra. Se a base embaixo da grama não foi muito bem preparada, a água empoça, forma poças e demora a secar. E quando a instalação cobre ralos, mesmo com furos, o escoamento costuma ficar comprometido. Ou seja: a drenagem depende de uma base perfeita, e nem sempre é o que você recebe.

O cheiro que aparece com o tempo

Esse ninguém comenta na hora da venda. Como a água, a sujeira e, principalmente, o xixi de animais ficam na superfície em vez de irem para a terra, pode surgir um odor com o tempo, sobretudo no calor.

Quem tem cachorro sente isso na pele. A urina não é absorvida pelo solo como na grama natural, então fica retida no gramado e no preenchimento. Sem uma limpeza regular, com água e produtos próprios, o cheiro se acumula e fica difícil de tirar.

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A manutenção que diziam não existir

O grande argumento de venda é “zero manutenção”. Não corte, não regue, não aduba. E é verdade que dá muito menos trabalho que grama natural. Mas “zero” é exagero.

Na prática, você ainda precisa aspirar ou varrer folhas e sujeira, lavar para tirar poeira e cheiro, resfriar com água nos dias quentes e, de tempos em tempos, repor o preenchimento que vai se deslocando. Não é o gramado que se cuida sozinho que prometeram. É menos trabalho, sim, mas não é nenhum.

Quanto tempo a grama artificial realmente dura

Aqui mora a surpresa financeira. A grama sintética é vendida como investimento que se paga, mas ela não é eterna. A durabilidade varia bastante conforme a qualidade e o uso, indo de poucos anos até cerca de uma década nas melhores.

Com o tempo, o sol desbota a cor, as fibras se deitam e perdem o aspecto de novo, e o material se desgasta. Quando isso acontece, não tem conserto: é preciso remover e instalar tudo de novo, com o custo cheio outra vez. E o material velho é plástico que leva muito tempo para se decompor, o que pesa no lado ambiental.

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