Quebra-pedra se torna a primeira planta medicinal a ser usada no SUS

Katia Ribeiro
Katia Ribeiro
Katia Ribeiro é criadora de um dos maiores hubs de conteúdo de crochê do Brasil. Há mais de 15 anos, compartilha conhecimento, tendências e projetos criativos que inspiram artesãos em todo o país.
Planta quebra-pedra —  Foto/Reprodução: g1.globo / Créditos: Vanderlei Duarte/TG)

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo. As informações apresentadas não substituem a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de profissionais de saúde quanto ao consumo adequado.

Durante décadas, a planta conhecida como quebra-pedra fez parte da medicina popular brasileira, principalmente no preparo de chás caseiros. O que poucos imaginavam é que esse saber tradicional poderia ganhar status científico e institucional dentro do sistema público de saúde.

Nos últimos anos, esse cenário começou a mudar. Pesquisas conduzidas por instituições públicas passaram a tratar a quebra-pedra não apenas como uso popular, mas como matéria-prima para um medicamento padronizado. E é justamente esse processo que coloca a planta no centro de uma iniciativa inédita no país.

Antes de entender por que ela pode se tornar a primeira planta medicinal usada oficialmente no SUS nesse formato, é preciso compreender como funciona a validação científica desse tipo de produto.

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O que muda quando uma planta entra no SUS?

Diferente do chá caseiro, um fitoterápico precisa passar por:

  • padronização da matéria-prima
  • controle de qualidade
  • testes de estabilidade
  • avaliação de segurança
  • registro sanitário

De acordo com o Ministério da Saúde, plantas medicinais só podem ser ofertadas pelo SUS quando transformadas em produtos com critérios técnicos definidos, garantindo que todas as doses tenham a mesma composição e efeito esperado.

Esse é o ponto central da diferença: não se trata da planta in natura, mas de um medicamento fitoterápico produzido industrialmente a partir dela.

Por que a quebra-pedra foi escolhida?

A quebra-pedra (Phyllanthus niruri) é tradicionalmente associada ao tratamento de problemas urinários, principalmente cálculos renais. Esse uso popular foi documentado em diversos estudos etnobotânicos no Brasil.

Segundo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a escolha da planta se baseia justamente na combinação entre:

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  • amplo uso tradicional
  • disponibilidade no território nacional
  • potencial terapêutico já investigado em estudos científicos
  • viabilidade de cultivo e produção em escala

Esses fatores tornam a quebra-pedra uma candidata estratégica para integrar políticas públicas de fitoterapia.

Como surgiu o projeto do fitoterápico

O desenvolvimento do medicamento à base de quebra-pedra faz parte de uma política nacional mais ampla.

De acordo com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), criada pelo Ministério da Saúde, o SUS pode incorporar medicamentos de origem vegetal desde que haja comprovação técnica e produção padronizada.

No caso da quebra-pedra, o projeto envolve:

  • pesquisa científica conduzida por laboratórios públicos
  • parcerias institucionais para financiamento
  • processo de submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Segundo a Fiocruz, trata-se do primeiro fitoterápico desenvolvido com foco direto em futura distribuição no SUS a partir de uma única planta medicinal brasileira.

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Ela já está disponível no SUS?

Ainda não.

De acordo com informações oficiais do próprio projeto, o fitoterápico à base de quebra-pedra está em fase de desenvolvimento e registro. Para ser incorporado ao SUS, ele precisa:

  • ser aprovado pela Anvisa
  • ser incluído na lista oficial de medicamentos do sistema público
  • ter produção em escala validada

Portanto, o que existe hoje é:
➡ um medicamento em processo de aprovação
➡ não um chá liberado para uso indiscriminado
➡ não uma planta distribuída diretamente

Essa distinção é fundamental para evitar interpretações equivocadas.

@despertesaude

Tome cha de quebra pedra por 7 dias e veja o que acontece #saude #dicas #cha

♬ Inspiração – Leonardo Travensoli

Por que isso é considerado um marco histórico?

Caso seja aprovado, o fitoterápico de quebra-pedra será:

  • o primeiro medicamento industrializado feito a partir de uma planta medicinal brasileira
  • desenvolvido com objetivo direto de uso no SUS
  • baseado em conhecimento tradicional aliado à ciência

Segundo técnicos do Ministério da Saúde, esse modelo pode abrir caminho para que outras plantas brasileiras passem pelo mesmo processo no futuro, fortalecendo a fitoterapia como política pública.

Além disso, o projeto se conecta à valorização da biodiversidade nacional e ao uso sustentável de recursos naturais na saúde.

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Da tradição ao sistema público

Durante muito tempo, a quebra-pedra foi vista apenas como um recurso doméstico, transmitido por gerações. O que acontece agora é diferente: a planta passa a ser tratada como matéria-prima farmacêutica.

Esse movimento mostra:

  • reconhecimento científico do saber popular
  • tentativa de padronização segura
  • integração entre natureza e medicina institucional

De acordo com pesquisadores envolvidos no projeto, o objetivo não é substituir medicamentos convencionais, mas oferecer uma alternativa validada para situações específicas, especialmente ligadas ao trato urinário.

Ciência confirmando um saber antigo

A possível entrada da quebra-pedra no SUS não representa apenas um novo medicamento. Representa um encontro entre tradição e ciência.

O que antes era preparado em casa agora passa por:

  • laboratório
  • normas sanitárias
  • políticas públicas

Se aprovado, o fitoterápico à base de quebra-pedra será um símbolo de como o conhecimento popular pode ganhar espaço institucional quando é estudado, testado e validado.

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