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O que psicólogos revelam sobre a sua autoestima e a versão falsa que você sustenta de si mesma

Será que você realmente se enxerga como é? © Katia Ribeiro

Você já recebeu um elogio e imediatamente pensou que a pessoa estava apenas sendo educada? Ou já se olhou no espelho e enxergou apenas defeitos, enquanto as pessoas ao seu redor pareciam ver alguém completamente diferente? Se isso já aconteceu com você, saiba que talvez o problema não esteja na sua aparência, na sua personalidade ou nas suas capacidades, mas na forma como seu cérebro aprendeu a interpretar quem você é. Muitas vezes, passamos anos acreditando em uma versão de nós mesmos construída pela autocrítica, sem perceber que ela pode estar longe da realidade.

O que a ciência diz sobre esse aspecto e a baixa autoestima?

A ciência mostra que essa percepção distorcida não é apenas uma sensação. Uma revisão sistemática publicada na revista Schizophrenia Bulletin identificou que pessoas com baixa autoestima costumam desenvolver esquemas negativos sobre si mesmas. Na prática, isso significa que passam a interpretar sua imagem, personalidade e competências por meio de uma lente marcada por críticas, experiências difíceis e comparações constantes. Em vez de enxergarem quem realmente são, acabam acreditando em uma identidade construída por pensamentos negativos que se repetem ao longo dos anos.

Como essa visão distorcida pode afetar sua vida?

Os efeitos de uma visão negativa sobre si mesmo vão muito além da autoestima. Quando alguém acredita que nunca é bom o suficiente, essa percepção passa a influenciar decisões, emoções e comportamentos no dia a dia. Em vez de enxergar suas capacidades de forma realista, a pessoa tende a agir de acordo com suas inseguranças, criando um ciclo que reforça ainda mais essa imagem distorcida.

Essa forma de pensar pode afetar diversas áreas da vida, como:

  • Relacionamentos: dificuldade em aceitar elogios, medo constante da rejeição e insegurança para criar vínculos.
  • Carreira profissional: receio de assumir novos desafios, síndrome do impostor e tendência a desvalorizar as próprias conquistas.
  • Saúde mental: maior vulnerabilidade à ansiedade, depressão, estresse e pensamentos autocríticos persistentes.
  • Tomada de decisões: evitar oportunidades por acreditar que não será capaz ou que irá fracassar.
  • Qualidade de vida: comparação constante com outras pessoas, sensação de inadequação e dificuldade para reconhecer o próprio valor.

Com o tempo, esses comportamentos alimentam um ciclo silencioso: quanto mais negativa é a percepção sobre si mesmo, mais ela influencia as atitudes do dia a dia, reforçando a crença de que essa versão distorcida é a realidade. É por isso que compreender esse mecanismo é um dos primeiros passos para construir uma autoestima mais saudável.

É possível mudar essa forma de se enxergar?

Sim! Estudos científicos mostram que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes para reduzir pensamentos distorcidos e fortalecer a autoestima. Ao identificar crenças negativas e substituí-las por interpretações mais realistas, é possível desenvolver uma percepção mais saudável sobre si mesmo. No vídeo abaixo, a psicóloga Marina Cavalcanti explica esse processo de forma prática e compartilha dicas para melhorar a distorção de imagem.

Sobre a especialista: Marina Cavalcanti é psicóloga e produz conteúdos sobre comportamento alimentar, imagem corporal e autoestima em suas redes sociais. No TikTok, onde reúne mais de 123 mil curtidas, ela compartilha vídeos com base em evidências científicas para ajudar as pessoas a compreenderem a relação entre mente, corpo e percepção de si mesmas.

Talvez você nunca tenha sido a pessoa que aprendeu a acreditar que era

Se existe uma mensagem que a ciência moderna deixa clara, é que nossa mente nem sempre conta a verdade sobre quem somos. A autoestima pode ser fortalecida, pensamentos distorcidos podem ser transformados e a forma como você se enxerga pode mudar. Talvez o problema nunca tenha sido você, mas a história que sua autocrítica contou durante anos. Aprender a questionar essa narrativa pode ser o primeiro passo para enxergar a si mesmo de forma mais justa, realista e saudável.

Desenvolvimento: Yasaf
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