
Se existe uma mensagem bastante clara nos editoriais de beleza de 2026, é que o cabelo excessivamente montado perdeu espaço. Os cortes da vez têm desenho, mas não parecem rígidos: há pontas mais densas, textura natural, comprimentos curtos e uma evidente nostalgia dos anos 1990 e 2000.
Essa mudança aparece nas páginas de Vogue, ELLE, Glamour e Harper’s Bazaar, que, embora não elejam exatamente os mesmos cortes, convergem em pontos específicos. O bob continua fortíssimo, o pixie voltou a ocupar espaço importante e as camadas estão mais estratégicas.
É justamente aí que vejo a parte mais interessante dessas tendências: não se trata simplesmente de copiar o cabelo de uma celebridade. Um bom corte precisa ser traduzido para textura, densidade, caimento e rotina de quem vai usá-lo.
Bob curto: ele não saiu de moda, apenas mudou de atitude
Há algumas temporadas o bob aparece com tanta frequência que seria razoável imaginar que estivesse próximo da saturação. Não aconteceu.
A Glamour reuniu dezenas de versões do corte em março e ouviu o hairstylist de celebridades Chris McMillan, que destacou justamente sua capacidade de ser reinterpretado. Para McMillan, o bob permanece atual porque pode aparecer polido, bagunçado, texturizado ou com as pontas viradas, sem perder sua identidade.

Atenção: No salão, eu teria atenção principalmente à densidade. Em fios muito volumosos, copiar uma base extremamente pesada sem adaptar a parte interna pode criar um formato completamente diferente daquele visto na fotografia de referência.
Graduated bob: os anos 2000 estão de volta, mas sem a rigidez
A versão graduada talvez seja uma das atualizações mais interessantes do bob neste momento. A nuca aparece ligeiramente mais curta enquanto o desenho preserva comprimento em direção à frente.
Em setembro, a Vogue colocou o graduated bob entre suas tendências de cabelo para 2026. A publicação descreve uma mudança dos bobs franceses que dominaram temporadas anteriores para cortes mais afiados, com graduação sutil e pontas propositalmente menos perfeitas.

É uma diferença pequena no papel e enorme quando se olha o resultado. O corte de 2026 não pretende parecer uma reprodução literal dos anos 2000.

Bixie: nem bob, nem pixie
O bixie ocupa exatamente o espaço entre os dois. É curto, mas ainda conserva comprimento suficiente para movimentar, colocar atrás das orelhas e trabalhar a textura.
A Vogue dedicou uma matéria ao retorno do corte em julho, recuperando referências como Meg Ryan, Cameron Diaz, Halle Berry e Winona Ryder. Segundo a Vogue, o bixie reúne a estrutura do pixie com a suavidade e as camadas de um bob — uma combinação que ajuda a explicar por que o corte reapareceu com tanta força.
A Harper’s Bazaar também o colocou entre os cortes nostálgicos que retornaram em 2026, citando versões recentes usadas por Pamela Anderson, Emma Stone e Gracie Abrams.

Pixie gamine: curto, delicado e muito mais interessante em 2026
Zendaya ajudou a devolver ao gamine pixie um lugar de destaque. A referência histórica inevitável é Audrey Hepburn, mas o corte atual está menos interessado em reproduzir o passado do que em aproveitar sua silhueta.

A Harper’s Bazaar chegou à mesma tendência ao analisar o retorno dos cortes nostálgicos: franja, comprimento discretamente maior ao redor das orelhas e textura são recursos usados para deixar o gamine contemporâneo.

Choppy bob: a resposta para quem não quer um bob impecável
No outro extremo do bob perfeitamente alinhado aparece o choppy bob. A base continua reconhecível, porém as pontas deixam de obedecer àquela linha quase geométrica.
Em setembro, a Harper’s Bazaar destacou o corte justamente por suas camadas irregulares, pontas suavizadas e movimento. A proposta é parecer um pouco despretensiosa sem que o desenho do corte desapareça.
É uma estética que funciona particularmente bem pra quem gosta de deixar a textura natural aparecer. O segredo está em criar irregularidade intencional; retirar peso aleatoriamente não produz o mesmo resultado.
Cabelos longos também mudaram, e a palavra é densidade
Nem toda tendência de 2026 envolve tesoura na altura do queixo. A mudança nos cabelos longos é mais silenciosa.
A ELLE Brasil observou em agosto uma reação às camadas extremas das últimas temporadas. Segundo o hairstylist Rafael Theodoro, ouvido pela revista, cortes com muitas camadas podem terminar deixando as pontas visualmente menos densas. Entre as apostas atuais aparecem bases mais cheias, camadas longas, movimento próximo ao rosto e respeito à textura natural.
A Harper’s Bazaar segue uma direção semelhante ao destacar o chamado architectural layer cut: o contorno permanece definido enquanto camadas internas criam movimento sem destruir a silhueta.
Para mim, essa é uma das mudanças mais elegantes da temporada. Não significa abandonar as camadas; significa saber exatamente onde colocá-las.
O que eu levaria dessas tendências para o salão
Depois de observar o que essas quatro publicações vêm mostrando, alguns movimentos ficam claros:
- Bob: continua sendo o grande corte curto, agora em versões mais específicas;
- Bixie: traz a nostalgia dos anos 1990 sem parecer fantasia de época;
- Gamine e pixie: voltam mais suaves e personalizados;
- Choppy bob: troca perfeição por textura e movimento;
- Graduated bob: recupera uma silhueta dos anos 2000 com acabamento contemporâneo;
- Longos: preservam mais densidade e recebem camadas de maneira estratégica.
E existe um fio condutor entre praticamente todos eles: o corte precisa funcionar antes da finalização!
Antes de reproduzir qualquer referência, observe a quantidade de cabelo, textura, formato, comprimento disponível e quanto tempo você pretende dedicar à finalização.
A tendência pode vir da Vogue. O corte, no entanto, precisa pertencer à mulher que está na cadeira!😉
As referências que consultei para produzior essa matéria são a Vogue — Hair Trends 2026, ELLE Brasil — Cortes de cabelo para 2026, Glamour — Haircuts for Women 2026 e Harper’s Bazaar — Nostalgic Haircuts Revival. Todas foram publicadas em 2026; as referências da Vogue e Bazaar incluem matérias de agosto/setembro, portanto refletem bem o cenário até hoje, 30 de setembro de 2026.
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