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Bolsa de Crochê com Ponto Vazado: 7 Modelos que Mostram Como a Trama Muda a Peça

Sete modelos de bolsas de crochê com diferentes tramas e pontos vazados
Modelos de bolsas de crochê com diferentes tramas, mostrando como a escolha do ponto, do fio e do acabamento transforma o visual de cada peça. Foto Estúdio Kátia Ribeiro ©

Eu gosto especialmente de observar como um mesmo tipo de fio pode produzir bolsas completamente diferentes quando mudamos a trama. No crochê, o ponto não define apenas o desenho: ele interfere na leveza, no caimento, na estrutura e até na maneira como a bolsa será usada. Nesta seleção, reuni sete modelos que mostram justamente isso, combinando peças que já publiquei aqui no blog com referências de sites especializados.

Quando falo em ponto vazado, não estou me referindo a um único ponto específico. A expressão pode abranger diferentes construções com espaços abertos: redes, desenhos rendados, motivos geométricos, correntinhas e pontos fantasia. O resultado muda bastante conforme o fio, a agulha e a tensão da mão. É essa diferença que quero mostrar nos modelos abaixo.

O que o ponto vazado muda em uma bolsa de crochê?

Antes de olhar os modelos, eu acho importante entender uma coisa: uma trama aberta não significa necessariamente uma bolsa frágil.

O resultado depende da combinação entre fio, espessura da agulha, desenho do ponto e acabamento. Uma trama bem planejada pode criar uma bolsa leve e maleável, enquanto outra, feita com fio mais encorpado e pontos abertos menores, pode manter bastante estrutura.

Também existe uma diferença visual muito grande.

Uma trama com pequenos espaços cria uma aparência delicada. Já uma rede com grandes vãos deixa a peça mais despojada. Desenhos rendados acrescentam um ar sofisticado, enquanto pontos geométricos podem deixar a bolsa mais contemporânea.

É por isso que escolhi modelos diferentes entre si.


1. Bolsa de crochê em ponto rede

Este é um dos modelos que eu colocaria logo no início da seleção porque ele mostra de maneira muito clara o efeito de uma trama aberta.

Na minha postagem sobre a bolsa de crochê fácil para iniciantes com ponto rede, a trama aparece formando espaços vazados semelhantes a losangos. O fio de malha mais encorpado cria um contraste interessante com os espaços da rede: mesmo com bastante abertura, os cordões ficam visualmente marcados. (katiaribeiro.com.br)

O ponto rede é construído a partir da repetição de espaços e pontos de sustentação. Dependendo da receita, podem existir variações utilizando correntinhas, pontos baixos, pontos altos ou outras combinações.

Eu gosto desse modelo justamente porque ele deixa evidente como a tensão do ponto interfere no resultado. Se eu apertar demais a mão, a trama fecha. Se trabalhar muito frouxo, os espaços podem crescer demais e comprometer a estrutura da bolsa.

O efeito da trama

  • visual leve;
  • espaços geométricos bem definidos;
  • aparência moderna;
  • ótimo aproveitamento para bolsas de verão;
  • possibilidade de trabalhar com fios mais encorpados.

É uma boa referência para quem quer entender como o ponto rede pode transformar completamente uma bolsa simples.


2. Bolsa de crochê com ponto abacaxi

Outro modelo que eu considero muito interessante é a bolsa com ponto abacaxi, que já mostrei aqui no blog.

Neste caso, a abertura da trama aparece de uma maneira completamente diferente. Em vez dos losangos regulares do ponto rede, temos desenhos rendados que lembram flores, folhas e leques.

Na peça que publiquei, o ponto abacaxi cria um efeito rendado bastante evidente, enquanto a cor crua valoriza os desenhos e deixa o trabalho com uma aparência natural. (katiaribeiro.com.br)

O que mais me chama atenção é que a bolsa parece quase um grande painel de renda. Os motivos se encontram e formam uma superfície contínua, sem aquele aspecto de pequenos elementos simplesmente colocados lado a lado.

Aqui a trama muda a personalidade da peça

Com o ponto abacaxi, eu consigo sair completamente da aparência esportiva ou casual de algumas bolsas de rede e chegar a uma proposta mais delicada.

A mesma ideia de bolsa vazada passa a conversar com:

  • vestidos;
  • peças de linho;
  • roupas de algodão;
  • produções de verão;
  • acessórios mais sofisticados.

3. Bolsa Duna, da Círculo

Entre as referências de terceiros, a Bolsa Duna, da Círculo, é uma das que melhor representa a proposta deste artigo.

A receita utiliza o fio Duna, agulha de 3,5 mm, forro, argolas, corrente dourada, botão de pressão e outros elementos de acabamento. O corpo é trabalhado em um ponto fantasia que combina pontos altos, correntinhas e pontos de sustentação. (Círculo)

O interessante aqui é observar como as correntinhas participam da construção dos espaços.

Não temos aquela aparência de rede simples. O vazado passa a fazer parte do próprio desenho da superfície.

O resultado

A bolsa fica com uma aparência mais delicada e ornamental.

Eu também gosto desse exemplo porque ele mostra que uma trama aberta pode receber acessórios mais sofisticados sem perder a identidade artesanal.

A corrente, o forro e os detalhes metálicos ajudam a levar o modelo para uma proposta diferente daquela bolsa de praia tradicional.


4. Bolsa Verão, da Círculo

A Bolsa Verão é outra referência interessante para observar como a construção do ponto modifica o resultado final.

A receita da Círculo utiliza Náutico Slim 3 mm, agulha de 5,5 mm, alças grandes de madeira e uma base oval. O corpo é desenvolvido em ponto fantasia, seguindo gráfico próprio da receita. (Círculo)

O que me interessa neste modelo não é simplesmente chamá-lo de “bolsa vazada”, mas observar a relação entre fio, agulha, desenho e estrutura.

O Náutico Slim oferece uma aparência mais firme, enquanto o ponto fantasia acrescenta movimento à superfície.

A presença das alças de madeira também interfere bastante na leitura da peça. A bolsa deixa de parecer apenas um trabalho de crochê e passa a ter uma linguagem mais próxima dos acessórios de moda.

O que eu observaria neste modelo

Fio mais estruturado + ponto fantasia + alça de madeira = uma bolsa com presença visual.

Essa combinação mostra que não precisamos exagerar na abertura da trama para conseguir uma peça leve.


5. Bolsa Natural, da Círculo

A Bolsa Natural traz outra interpretação interessante.

A receita utiliza Barroco Natural 4, agulha de 5 mm, alça de corda de algodão e tecido para o forro. O corpo é construído com pontos fantasia seguindo gráfico, depois recebe o acabamento e o forro. (Círculo)

Aqui eu gosto especialmente da combinação entre o fio natural e a trama.

É uma proposta que conversa muito bem com aquela estética artesanal que vemos em bolsas para verão, praia, passeios e produções com materiais naturais.

E existe um detalhe importante: o forro muda completamente a possibilidade de uso de uma bolsa com trama aberta.

Em vez de deixar os objetos diretamente expostos aos espaços do crochê, eu posso colocar um tecido por dentro e manter justamente a aparência vazada do lado externo.


6. Bolsa Summer, da Círculo

A Bolsa Summer segue uma direção mais marcante.

A receita utiliza Fio de Malha Premium, agulha de 9 mm, alça de rattan e forro. O corpo é desenvolvido com dois pontos fantasia diferentes, acompanhados por diagramas. O modelo final mede aproximadamente 20 × 35 cm. Katia Ribeiro

Esse exemplo é interessante porque mostra como uma trama trabalhada com fio de malha pode ganhar uma aparência completamente diferente daquela obtida com fios finos.

O material grosso faz cada ponto aparecer mais.

Eu considero essa uma ótima demonstração de que o mesmo princípio de trama aberta pode resultar em uma peça mais robusta quando mudamos a espessura do fio.

A alça de rattan reforça ainda mais essa proposta artesanal e deixa a bolsa com uma aparência descontraída.


7. Ecobag de crochê com ponto rede

Para fechar a seleção, eu voltaria a um tipo de construção que considero muito democrático: a ecobag feita com ponto rede.

Aqui no blog já publiquei um modelo de ecobag confeccionado com Barroco Maxcolor 4/6, agulha de 4 mm e 18 carreiras de ponto rede. Depois da trama aberta, são feitas carreiras de ponto baixo para dar acabamento e sustentação à região das alças. (katiaribeiro.com.br)

Eu gosto muito dessa construção porque ela mostra uma solução simples para equilibrar leveza e resistência.

O corpo pode ser mais aberto, enquanto as regiões que recebem maior tensão ficam reforçadas.

Isso também me faz pensar em uma regra que considero muito útil quando estou escolhendo um gráfico para uma bolsa: não preciso necessariamente trabalhar a peça inteira com o mesmo grau de abertura.

Posso ter:

  • fundo mais fechado;
  • laterais vazadas;
  • borda reforçada;
  • alças em pontos compactos.

Essa diferença de densidade ajuda a controlar o comportamento da bolsa.


7 modelos, 7 maneiras de trabalhar a trama

O fio muda completamente o resultado

Uma das coisas que eu mais gosto no crochê é justamente essa possibilidade de experimentar.

Uma mesma trama pode ficar delicada com um fio fino e ganhar bastante presença com um fio mais grosso.

Eu também posso mudar a agulha.

Uma agulha maior tende a produzir uma trama mais aberta, enquanto uma menor pode deixar o trabalho mais compacto, sempre considerando a espessura e as características do fio utilizado.

Por isso, quando encontro um gráfico de bolsa que gosto, eu não penso apenas na receita original. Penso também:

Como esse desenho ficaria em outro fio?

Um ponto rede feito com algodão fino terá uma aparência muito diferente daquele trabalhado com fio de malha.

Um ponto rendado em uma cor clara pode destacar cada detalhe do desenho. Em uma cor escura, o mesmo motivo pode ganhar uma aparência mais sofisticada e gráfica.


E o forro? Eu considero indispensável em muitos modelos vazados

Quando a bolsa tem grandes espaços entre os pontos, o forro deixa de ser apenas uma questão estética.

Ele pode aumentar a praticidade da peça e impedir que pequenos objetos escapem pela trama.

Também posso usar o tecido interno para criar contraste.

Um crochê claro com forro colorido, por exemplo, pode produzir um efeito completamente diferente do mesmo trabalho acompanhado de um tecido neutro.

É uma maneira simples de criar uma nova versão sem precisar mudar o gráfico.

Aprenda na postagem da bolsa rendada, como fazer um forro sem maquina de costura .


Nem toda bolsa vazada precisa ser usada da mesma maneira

Outro ponto que observo quando escolho uma bolsa desse tipo é a finalidade.

Uma trama muito aberta pode funcionar muito bem em uma bolsa de praia ou ecobag, especialmente quando a proposta é justamente ter uma peça leve.

Já uma bolsa para o dia a dia pode pedir espaços menores e um bom forro.

Para uma peça mais sofisticada, eu procuraria uma combinação entre trama rendada, fio bonito, acabamento cuidadoso e ferragens.

O ponto é o mesmo princípio: a trama participa diretamente da função e da aparência.


Como eu escolheria o ponto para uma nova bolsa

Se eu fosse começar hoje uma bolsa de crochê com ponto vazado, eu faria primeiro algumas amostras pequenas.

Não começaria diretamente pelo corpo da bolsa.

Eu testaria:

  1. O fio escolhido
  2. Duas ou três numerações de agulha
  3. O grau de abertura da trama
  4. A elasticidade do ponto
  5. A aparência depois de esticar a amostra
  6. A resistência do tecido
  7. Como o forro ficará por baixo

Depois disso, escolheria a combinação que melhor equilibra aparência e estrutura.

Essa pequena etapa pode evitar uma surpresa desagradável depois de várias horas de trabalho.


A trama pode transformar completamente a mesma bolsa

Depois de observar esses sete modelos, fica fácil perceber que ponto vazado não é sinônimo de um único estilo.

O ponto rede cria uma linguagem mais gráfica. O ponto abacaxi leva o trabalho para o lado da renda. Os pontos fantasia podem criar desenhos mais elaborados, enquanto a escolha do fio consegue deixar a mesma proposta delicada, rústica, moderna ou robusta.

É justamente por isso que eu gosto tanto de trabalhar com bolsas de crochê.

Trocar a trama é, muitas vezes, suficiente para transformar completamente a personalidade de uma peça.

E quando juntamos isso à escolha do fio, da cor, da alça e do forro, um mesmo princípio pode dar origem a bolsas que parecem pertencer a coleções completamente diferentes.

Para mim, essa é uma das partes mais interessantes do crochê: o gráfico pode ser apenas o começo. A interpretação de quem faz é que dá outra vida à peça.

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