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Autoestima e as vantagens de sermos imperfeitos

Mulher sorrindo ao ar livre, representando autoestima, autoaceitação e valorização das próprias imperfeições.
© Studio Katia Ribeiro

Se você sofre com baixa autoestima, é importante saber que não está sozinha nisso. Esse é um tema amplamente estudado pela psicologia, inclusive no Brasil. Em 2011, Hutz e Zanon investigaram a autoestima em uma amostra de 1.151 brasileiros. Outro estudo, publicado na Psico-USF, avaliou 689 adultos entre 18 e 70 anos utilizando a conhecida Escala de Autoestima de Rosenberg.

E mencionar pesquisas como essas é importante porque, quando estamos passando por uma fase de insegurança, podemos ter a impressão de que todo mundo está confortável consigo mesmo, menos nós. Saber que autoestima é uma questão humana, investigada em diferentes populações, não elimina nossas dificuldades, mas pode ajudar a perceber que inseguranças não são uma experiência exclusivamente sua.

Mas, afinal, o que é autoestima?

Autoestima vai muito além de simplesmente “gostar de si mesmo”. Para Morris Rosenberg (1965), uma das principais referências no estudo do tema, ela está relacionada à atitude positiva ou negativa que uma pessoa possui em relação a si própria.

Na prática, a autoestima aparece em situações como:

  • Como enxergamos nossas qualidades e limitações.
  • Como reagimos aos nossos erros.
  • Quanto dependemos da aprovação dos outros.
  • Como enfrentamos rejeições.
  • Como conversamos conosco nos momentos difíceis.

Ter autoestima saudável não significa olhar no espelho e acreditar que você é perfeito. Significa conseguir reconhecer defeitos, fracassar e enfrentar inseguranças sem transformar essas experiências em provas de que você vale menos como pessoa.

O equívoco de confundir autoestima com perfeição

Existe uma ideia socialmente difundida de que uma pessoa com autoestima precisa estar sempre confiante, amar sua aparência e jamais demonstrar insegurança. Mas autoestima saudável não é se considerar perfeito. É conseguir reconhecer o próprio valor apesar das imperfeições.

Existe uma enorme diferença entre pensar “eu fracassei nisso” e concluir “eu sou um fracasso”. Da mesma maneira, ser rejeitado por alguém não significa ser indigno de amor; não gostar de uma característica física não significa ser feio; descobrir uma limitação não transforma você em alguém incapaz.

Talvez uma definição mais interessante seja esta: autoestima não é acreditar que não temos defeitos. É compreender que não precisamos eliminá-los para merecer respeito, inclusive o nosso próprio.

As vantagens de sermos imperfeitos

Existe uma diferença importante entre querer melhorar e passar a vida tentando finalmente se tornar “bom o bastante”. Quem aceita suas imperfeições continua crescendo, mas não coloca o próprio valor como prêmio no final dessa jornada.

Na prática:

  • Quem aceita: “Eu errei e posso aprender.”
    Quem busca perfeição: “Eu errei porque não sou bom o bastante.”
  • Quem aceita: reconhece seus defeitos sem permitir que eles definam sua identidade.
    Quem busca perfeição: acredita que precisa eliminar os defeitos para finalmente gostar de si.
  • Quem aceita: aprecia elogios, mas consegue reconhecer o próprio valor sem recebê-los.
    Quem depende de validação: precisa constantemente que alguém confirme que é bonito, interessante, competente ou amado.
  • Quem aceita: deseja evoluir.
    Quem busca perfeição: acredita que somente poderá descansar quando finalmente se tornar suficiente.

E essa última corrida pode ser exaustiva. Nos relacionamentos, aparece na necessidade constante de confirmação. Na aparência, na sensação de que sempre existe alguma coisa para corrigir. Na carreira, na incapacidade de celebrar conquistas. E nas redes sociais, pode assumir a forma de uma busca interminável pela próxima aprovação.

Redes sociais, validação e a cultura do “eu”

Nunca tivemos tantas ferramentas para medir a aprovação dos outros. Curtidas, seguidores, comentários e visualizações transformaram reconhecimento social em números visíveis na tela.

Uma meta-análise de Gnambs e Appel (2018), reunindo 57 estudos e mais de 25 mil participantes, encontrou uma pequena associação positiva entre narcisismo e determinados comportamentos nas redes sociais, incluindo número de amigos e frequência de publicação de fotos e selfies.

Isso evidentemente não significa que postar uma selfie ou gostar de receber curtidas transforme alguém em narcisista. A reflexão interessante está em outro ponto: as redes oferecem um ambiente especialmente favorável à exposição, comparação e busca por reconhecimento.

E existe um paradoxo nisso. Se precisamos da reação das outras pessoas para confirmar nosso valor, uma aprovação dificilmente será suficiente. Uma curtida satisfaz agora; depois queremos a próxima.

Podemos sair desse circuito

Não precisamos passar a vida tentando provar que merecemos ocupar nosso lugar no mundo. Aceitar nossas imperfeições não significa abandonar ambições, deixar de cuidar da aparência ou desistir de evoluir. Significa crescer sem precisar odiar as pessoas que somos hoje para nos tornarmos aquelas que desejamos ser amanhã.

Talvez uma pequena mudança já seja um começo. Quando percebermos que passamos tempo demais nas redes sociais comparando nossa aparência, nossos relacionamentos ou nossa vida com a de outras pessoas, podemos experimentar direcionar uma parte desse tempo para nós.

  • Podemos ler
  • Podemos nos exercitar
  • Podemos cuidar da nossa aparência porque isso nos faz bem
  • Podemos aprender alguma coisa nova
  • Podemos passar um tempo sozinhos
  • Podemos desenvolver uma habilidade
  • Podemos fazer algo sem precisar publicar depois.

E, se quisermos começar pela leitura, separei um post com 5 livros organizados em uma ordem de leitura para trabalhar autoconhecimento e autoestima.

Talvez algumas horas a menos procurando respostas do lado de fora sejam justamente a oportunidade que nos falta para começar a encontrá-las dentro de nós.

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