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Autoestima baixa e Redes Sociais: Como utilizar as redes de forma saudável

Pessoa usando o celular, representando a influência das redes sociais sobre a autoestima e a autoimagem.
Será que você está se enxergando com os seus olhos ou com os olhos das redes sociais? © Studio Katia Ribeiro

Quantas vezes você abriu uma rede social se sentindo relativamente bem e, ao sair dela, começou a questionar sua aparência, seu corpo, sua carreira ou até mesmo seu relacionamento? Esse efeito pode ocorrer de forma sutil, muitas vezes sem que percebamos. A autoestima está relacionada à forma como avaliamos nosso próprio valor, e a comparação social pode influenciar diretamente essa percepção.

Um estudo recente realizado com adolescentes e adultos identificou mudanças momentâneas na autoestima após a exposição a feedbacks positivos e negativos nas redes sociais, com efeitos especialmente perceptíveis entre os adolescentes. Os pesquisadores também apontaram a comparação social como um dos mecanismos envolvidos nessa relação. Isso não significa que o uso das redes sociais inevitavelmente reduza a autoestima, mas ajuda a compreender como aquilo que vemos e vivenciamos no ambiente digital pode influenciar a maneira como percebemos a nós mesmos.

As redes mudaram, e nossa comparação também

Em 2026, existe outro elemento importante nessa discussão: você não vê simplesmente aquilo que escolheu seguir. Algoritmos selecionam e ordenam grande parte do conteúdo que chega até você, frequentemente utilizando sinais de engajamento. Uma pesquisa de 2025 sobre algoritmos de recomendação mostrou justamente como feeds orientados por engajamento podem diferir daqueles organizados segundo valores escolhidos conscientemente pelos usuários.

Por isso, vale lembrar:

  • O feed não representa a vida completa das pessoas.
  • Popularidade não significa necessariamente qualidade.
  • Engajamento ajuda a determinar aquilo que continua aparecendo para você.
  • Fotos podem ter filtros, edição ou alterações por IA.
  • Você pode comparar seus bastidores com o melhor momento publicado por outra pessoa.
  • Quanto mais interage com determinado conteúdo, mais conteúdos semelhantes podem aparecer.

Aprenda a separar aquilo que inspira daquilo que muitas vezes não esta fazendo bem

Talvez você não precise abandonar as redes sociais. Pode precisar editar melhor aquilo que permite entrar diariamente na sua cabeça. Existe uma diferença enorme entre seguir alguém e pensar “isso me inspirou a cuidar de mim” e fechar o aplicativo pensando “minha vida é péssima perto da dela”.

Faça um pequeno teste com seu próprio feed:

  • Me inspira: ensina, diverte, informa ou desperta vontade saudável de evoluir? Mantenha.
  • Me faz comparar: frequentemente provoca sensação de inferioridade? Observe.
  • Me deprecia: faz você se sentir feia, atrasada, fracassada ou insuficiente repetidamente? Considere silenciar ou deixar de seguir.
  • Me acrescenta: apresenta livros, arte, conhecimento, exercícios, viagens, filmes ou ideias novas? Talvez mereça mais espaço.
  • Só consome meu tempo: você nem gosta, mas continua rolando? Talvez seja justamente aquilo que precisa diminuir.

Seu feed não precisa ser uma sala onde todos os dias você entra para ser julgada.

Como usar as redes sem entregar sua autoestima a elas

Não existe necessidade de transformar as redes em inimigas. Elas também oferecem informação, entretenimento, comunidades e contato com pessoas que talvez nunca conheceríamos de outra maneira. O objetivo é recuperar um pouco do controle sobre como você as utiliza.

Experimente:

  • Deixar de seguir perfis que alimentam comparações destrutivas.
  • Seguir pessoas com diferentes corpos, idades, estilos e realidades.
  • Evitar começar e terminar todos os dias rolando o feed.
  • Perguntar “por que quero publicar isso?” quando perceber necessidade intensa de aprovação.
  • Fazer atividades que proporcionem satisfação sem precisar mostrá-las.
  • Cultivar relações presenciais e hobbies fora das telas.
  • Lembrar que curtidas medem uma reação a uma publicação, não nosso seu valor.
  • Reservar momentos do dia sem redes sociais.
  • Trocar parte do tempo de rolagem por leitura, exercício, música, cinema ou algum projeto pessoal.

Estou tentando trazer para cá coisas que também estão me fazendo refletir

Quem vem acompanhando meus artigos talvez tenha percebido que tenho compartilhado mais conteúdos sobre autoestima, além de indicações de livros e filmes que possam provocar alguma reflexão. Não escrevo isso como alguém que encontrou todas as respostas. Pelo contrário: uma das leituras que indiquei foi Autocompaixão, da psicóloga e pesquisadora Kristin Neff, e estou lendo o livro neste momento. Ainda não terminei, mas estou gostando muito.

Uma das ideias centrais do trabalho de Neff é justamente trocar parte dessa necessidade constante de avaliação por uma postura mais gentil diante das próprias imperfeições. Em seus trabalhos científicos, a pesquisadora argumenta que a autocompaixão envolve bondade consigo, reconhecimento de que dificuldades fazem parte da experiência humana e atenção equilibrada aos pensamentos e emoções negativas.

Também preparei uma seleção com 5 livros sobre autoestima organizados cuidadosamente em uma ordem cronológica de leitura, começando por questões fundamentais e avançando gradualmente para outras reflexões. Se esse assunto também está fazendo sentido para você, vale conferir a lista.

Talvez não possamos controlar tudo aquilo que os algoritmos colocam diante dos nossos olhos. Mas podemos aprender a escolher melhor aquilo que merece permanecer dentro da nossa cabeça.

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