
Depois de muitos anos trabalhando com crochê, aprendi uma coisa que considero essencial: não é o fato de uma peça ser artesanal que faz uma decoração parecer antiga ou moderna: são os desenhos, as proporções, as cores e, principalmente, o acabamento. Isso vale perfeitamente para os jogos de banheiro em crochê. Quando escolho modelos para esse ambiente, penso primeiro no conjunto da decoração e só depois no ponto que quero executar.
E essa valorização do feito à mão está muito alinhada ao que acontece atualmente não só na moda, como no design de interiores. Em sua previsão para 2026, a Architectural Digest aponta justamente detalhes artesanais, texturas, ornamentação e maior expressão da personalidade entre os movimentos relevantes para os interiores. A publicação também destaca o chamado slow design, associado a espaços mais pessoais, duráveis e menos dependentes de objetos produzidos em massa.

Para mim, o segredo de um jogo de banheiro bonito começa antes mesmo de pegar a agulha
Quando projeto uma peça para banheiro, não escolho a cor isoladamente olhando apenas para o novelo. Observo piso, revestimento, bancada, madeira, metais e tamanho do espaço. Se o banheiro já possui muita informação visual, prefiro deixar o crochê respirar: desenho mais limpo, poucas cores e um acabamento muito bem definido. Se o ambiente é neutro, aí sim posso utilizar o jogo como protagonista, trabalhando flores, relevos, ponto pipoca ou uma combinação de cores mais marcante. Essa busca por ambientes com identidade também aparece na visão editorial atual da Architectural Digest: Amy Astley, diretora editorial global da publicação, afirma que personalidade — e não perfeição — é um dos elementos que tornam uma casa memorável. No crochê para decoração, eu aplicaria exatamente esse princípio.
Entre as combinações que considero mais interessantes estão:
- Cru + madeira: natural, acolhedor e difícil de cansar visualmente.
- Bege + marrom: sofisticado para banheiros de paleta quente.
- Branco + verde: fresco e bonito quando existem plantas no ambiente.
- Cinza + branco: ótimo para uma decoração contemporânea.
- Terracota + cru: artesanal, mas com bastante personalidade.
- Uma única cor + pontos em relevo: deixa a textura fazer o trabalho.
- Tons pastel: interessantes para ambientes pequenos e delicados.
E uma dica minha: se o ponto já é muito elaborado, não sinto necessidade de usar cinco cores para provar que a peça deu trabalho. Muitas vezes, uma única tonalidade valoriza muito mais a técnica.

O que diferencia um jogo de banheiro comum de uma peça com aparência profissional?
Aqui entra meu olhar de crocheteira. Eu presto muita atenção à tensão dos pontos, simetria, curvas e principalmente à maneira como o tapete assenta no chão. Um desenho maravilhoso perde valor quando as bordas começam a ondular. Da mesma forma, flores tridimensionais bonitas não salvam uma peça com emendas aparentes ou fios mal arrematados. Para decoração, textura é extremamente poderosa: a própria Architectural Digest vem apontando o interesse crescente por superfícies, camadas, detalhes ornamentados e ambientes menos impessoais. É aí que vejo uma enorme vantagem no crochê: nós conseguimos criar textura literalmente ponto por ponto, escolhendo onde queremos volume e onde queremos descanso visual.
Antes de considerar um jogo pronto, eu sempre observaria:
- Se os dois lados do tapete estão simétricos.
- Se as bordas permanecem assentadas no chão.
- Se os aumentos das curvas foram distribuídos corretamente.
- Se todas as pontas estão bem escondidas.
- Se as cores conversam com o banheiro.
- Se o fio suporta a rotina de lavagem prevista para a peça.
- Se flores e aplicações estão firmemente presas.
- Se o tamanho está proporcional ao vaso, bancada e circulação.
- Se o verso ou uma solução complementar oferece segurança adequada ao piso.
💡 Dica: depois de terminar, coloque todas as peças lado a lado e observe de longe. É impressionante como pequenas diferenças de medida que não percebemos enquanto crochetamos aparecem imediatamente quando enxergamos o conjunto completo.

Crochê na decoração não precisa parecer coisa do passado — e talvez seja justamente o contrário
Eu gosto muito de defender esse ponto porque ainda existe a ideia de que jogo de banheiro em crochê pertence necessariamente a uma decoração antiga. Não concordo. O que envelhece uma composição não é a técnica; é a maneira como ela é utilizada. Em 2026, a Architectural Digest descreve um design de interiores que se afasta de espaços excessivamente neutros e impessoais e se aproxima de personalidade, camadas, cor, textura e detalhes artesanais. Isso conversa diretamente com aquilo que o crochê sempre soube fazer. Uma peça artesanal introduz algo que um tapete industrial dificilmente reproduz da mesma maneira: pequenas decisões feitas durante horas pelas mãos de alguém.
Por isso, quando quero trazer o jogo de banheiro para uma estética mais atual, sigo alguns princípios simples:
- Reduzo a quantidade de cores quando o desenho já é complexo.
- Uso tons naturais para valorizar a textura.
- Exploro desenhos geométricos em ambientes contemporâneos.
- Combino crochê com madeira, fibras, cerâmica e plantas.
- Deixo pontos elaborados aparecerem sem excesso de elementos ao redor.
- Prefiro acabamento impecável a excesso de ornamentação.
- Uso o artesanato como parte da decoração, não como algo colocado nela por acaso.
Talvez seja essa a maior mudança na maneira como devemos olhar para essas peças. O jogo de banheiro não precisa existir apenas para “combinar a tampa do vaso com o tapete”. Ele pode participar de uma composição de interiores baseada em textura, conforto e identidade. E, como artesã, é justamente isso que mais gosto no crochê: posso olhar para um banheiro completamente neutro, escolher um fio e construir com minhas próprias mãos o detalhe que estava faltando naquele espaço

























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